Terça, 01 Dezembro 2020 16:06

Feira virtual de livros exibe criação das periferias de SP

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Evento terá venda de mais de 190 títulos com preços especiais, mesas de debate e lançamentos; encontro acontece nos dias 4, 5 e 6 de dezembro

De 4 a 6 de dezembro, acontece a primeira edição da Feira Virtual do Livro das Periferias, evento que reúne editoras e selos de publicação vinculadas às periferias da Região Metropolitana de São Paulo. A iniciativa da Ação Educativa promove apresentações e mesas de diálogo sobre as produções editoriais de territórios periféricos por meio de saraus, leituras de textos, incentivo à leitura e comentários sobre os livros publicados pelas editoras e selos das periferias. A participação é gratuita e a programação completa está disponível no site.

Junto com o lançamento da Feira, também ocorre a divulgação da pesquisa inédita Editoras e Selos Editoriais das Periferias de SP, realizada pela Ação Educativa sobre o mercado editorial das periferias da Região Metropolitana de São Paulo. De acordo com a pesquisa, são 375 títulos publicados por essas editoras, somando 187.500 exemplares estimados, um mercado que até abril de 2020 gerou R$ 3,75 milhões em vendas. São 275 autores, sendo um terço deste total composto por mulheres. Quanto ao recorte racial, também um terço dos autores são negros.

“O movimento editorial nas periferias se expande, principalmente, a partir dos saraus, no início dos anos 2000. Ali, ele conquistou leitores e escritores, que se desdobram em múltiplas e potentes vertentes literárias”, explica o coordenador cultural da Ação Educativa, Eleilson Leite. “A Feira do Livro é um dos pilares de um projeto inovador e que nos traz muito orgulho, abrindo espaço para a necessidade do protagonismo cultural descentralizado”, completa.

A pesquisa também revela que a maioria dos leitores é de moradores das próprias periferias (51,8%) e o custo elevado é identificado como a principal dificuldade no acesso aos títulos (29,6%). Já na perspectiva das editoras/selos, a divulgação (32,7%) é o maior desafio para ampliar o acesso.

Quanto à distribuição territorial, a periferia da Zona Sul de São Paulo concentra metade (50%) das editoras/selos, seguida pela Zona Norte, com pouco mais de um quarto do total (27,7%). Apenas uma está localizada fora da capital paulistana, em Embu das Artes, na Grande São Paulo.

Números mostram crescimento das editoras periféricas

A pesquisa considerou as editoras e selos de publicação das periferias de São Paulo surgidos entre 2005 e 2019. No período de 14 anos, foram observadas 18 editoras, 10 das quais surgidas entre 2011 e 2016.

Apesar da estrutura de pequeno porte, a pesquisa revelou que a maioria (61,1%) das editoras/selos que participaram da pesquisa têm CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica), o que sugere a consolidação de um negócio editorial, e que permite a essas organizações uma variedade de atividades mais ampla em comparação com aquelas que não possuem ou têm seu cadastro prejudicado. O CNPJ é constituído por essas organizações não só para permitir a edição e comercialização editorial, mas também a realização de atividades relacionadas, como organizacão de eventos literários, a participação em editais públicos e privados e a prestação de serviços de natureza artística e educativa. Realizada em nove etapas entre fevereiro e agosto de 2020, a pesquisa tem o objetivo de contribuir para a democratização do mercado editorial brasileiro e para a ampliação da bibliodiversidade nas práticas de leitura do país.

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