Quinta, 14 Outubro 2021 13:07

Os artistas da Semana de 22 é o tema da exposição do MAM-SP

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Moderno Onde? Moderno Quando ? A Semana de 22 como Motivação | MAM-SP


A virada do século 19 para o 20 trouxe uma forte vontade de renovação em todo o Brasil. Os núcleos urbanos começavam vivamente a se alterar em regiões como Amazonas e Pará, o neoclassicismo e ecletismo emergia na arquitetura do Rio de Janeiro, a abertura de novas avenidas alterava a vida urbana e, em São Paulo, fábricas surgiam com a chegada de imigrantes europeus. Artistas e escritores de vários quadrantes do país também se atentavam às mudanças que ocorriam nas artes e cultura europeias. Esse cenário amplo e repleto de mudanças é apresentado em Moderno onde? Moderno quando? A Semana de 22 como motivação, exposição com curadoria de Aracy A. Amaral e Regina Teixeira de Barros, que estreia em 4 de setembro no Museu de Arte Moderna de São Paulo. A mostra tem patrocínio do Bradesco, do Credit Suisse e da KPMG.

A proposta da exposição é trazer ao público uma reflexão sobre a Semana de 22, para além de uma apreciação assertiva, e fugir das respostas certas ou prontas. “Reza o senso comum que a Semana de 22 foi um divisor de águas entre o velho e o novo. Entretanto, se nos debruçarmos sobre a produção (artística, musical, arquitetônica, literária) que antecede a Semana – e nos permitirmos considerar outras localidades do país além de São Paulo – encontraremos incontáveis evidências de que a Semana faz parte de um amplo (e descontínuo) processo que a extrapola, tanto temporal quanto espacialmente”, explicam as curadoras.

Aracy e Regina contextualizaram a Semana de Arte Moderna em um cenário amplo, com obras de artistas de distintas regiões do país, enfatizando a ideia de que a arte moderna não esteve restrita a São Paulo. A mostra será dividida em três núcleos: os pré-modernistas, as obras e os artistas participantes do evento no Theatro Municipal, e os desdobramentos do movimento até 1937.

Para demarcar o arco temporal da mostra, foi eleito o período da virada do século, em 1900, até a implementação do Estado Novo por Getúlio Vargas, em 1937. O ano de 1900 representa o espírito da Belle Époque, período entre o fim do século 19 e começo do 20 marcado por transformações culturais, artísticas e tecnológicas.

Assuntos como as renovações urbanas estão exemplificados em diferentes linguagens artísticas, seja na pintura de Eliseu Visconti, que retrata a reforma promovida por Pereira Passos no Rio de Janeiro, ou na fotografia de Valério Vieira, sobre a inauguração do Theatro Municipal de São Paulo.

Temas igualmente atraentes para o pintor da vida moderna – como o lazer e o trabalho – figuram lado a lado com obras de temáticas próprias ao universo artístico: modelos, ateliês e autorretratos. Apocalíptica, crítica ou bem-humorada, a imaginação se faz presente na pintura do manauara Manoel Santiago, nas ilustrações de Alvim Corrêa e nas colagens fotográficas de Valério Vieira.

Para além desses artistas que precederam a Semana, uma série de personagens dela sucedentes são igualmente significativos para a arte moderna no Brasil. A tentativa de traduzir a ideia de brasilidade em uma imagem, por exemplo, está estampada nas reminiscências de infância de Cícero Dias, nas paisagens pau-brasil de Tarsila do Amaral e nos tipos populares registrados por Di Cavalcanti (pós-Semana) e Lasar Segall.

À medida que a década de 1930 avança, os tipos brasileiros passam a ser espelhados sobretudo nos trabalhadores rurais e nos operários. A arte ganha uma tônica engajada nas telas de Candido Portinari e Raimundo Cela, bem como nas gravuras de Lívio Abramo. Por outro lado, os ventos surrealistas deixaram marcas na pintura antropofágica de Tarsila, no essencialismo de Ismael Nery, bem como nos questionamentos teológicos de Flavio de Carvalho.

Segundo Cauê Alves, curador-chefe do MAM, “mais do que uma celebração do centenário da Semana de 22, o MAM contribui para a pesquisa e reflexão sobre o que significou esse evento, seus antecedentes e desdobramentos. A exposição certamente irá contribuir para redefinir a importância histórica da Semana de 22 e ampliar a compreensão do modernismo como um acontecimento nacional”. Os integrantes de Moderno onde? Moderno quando? são artistas imigrantes radicados no Brasil ou nascidos em municípios de diversas regiões do país, onde havia grupos se organizando. “Eram artistas, intelectuais, literatos, todos com vontade de renovação e alteração de rumos. Os paulistas viajavam pelo Brasil e entravam em contato com grupos de diferentes regiões, como Sul, Norte e Nordeste, trocando conhecimento. A Semana faz parte de um processo muito maior do que o evento em São Paulo”, explicam as curadoras.

Um conjunto de obras icônicas e representativas de cada artista será exibido na mostra em diferentes suportes, como pinturas, esculturas, gravuras, desenhos, fotografias, ilustrações, além de maquetes e trechos de poemas lançados no período. Uma seleção de capas de livros e revistas, charges, músicas populares e eruditas será projetada em espaço único da exposição, compondo um vídeo que também reúne uma cronologia com imagens dos principais acontecimentos políticos, sociais e culturais transcorridos entre 1900 e 1937.

MODERNO ONDE? MODERNO QUANDO? A SEMANA DE 22 COMO MOTIVAÇÃO | MAM-SP

Até 12 de dezembro de 2021

Terça-feira, Quarta-feira, Quinta-feira, Sexta-feira, Sábado, Domingo das 10:00h às 18:00h

Parque Ibirapuera (av. Pedro Álvares Cabral, s/nº - Portões 1 e 3)



Foto: Carnaval em Madureira, 1924, Tarsila do Amaral. Fonte: Dasartes

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