Imprimir esta página
Sexta, 24 Agosto 2018 15:10

BVL é finalista do prêmio de melhor biblioteca do mundo

Mônica de Araújo
Avalie este item
(2 votos)
BVL é finalista do prêmio de melhor biblioteca do mundo Foto: Pierre Ruprecht durante a entrevista/Leandro Silva

Quem entra na Biblioteca Parque Villa-Lobos (BVL), na capital paulista, encontra um conceito bem diferente. Fazer barulho em quase todos os ambientes, jogar videogame, ter aula de ioga, acessar internet, encontrar equipamentos de ponta para leitores com deficiência auditiva, motora ou visual, ver um projeto social de altíssimo nível, além de poder deliciar-se com um acervo de fazer inveja a qualquer país, são apenas algumas das atrações da biblioteca.
 

A proposta levou a BVL a ficar entre as cinco finalistas do prêmio de melhor biblioteca pública, concedido pela Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA), parceira da Unesco, que reúne 1.400 membros em 140 países.
 

O prêmio, concedido na reunião anual da IFLA será em 28 de agosto, em Kuala Lumpur, na Malásia, é de 5 mil dólares. O êxito da BVL, inaugurada em 2015, no lugar de um antigo lixão, pode ter surpreendido muita gente.
 

Mas quem conhece Pierre André Ruprecht, diretor executivo da SP Leituras, gestora da BVL, e a equipe que mantém a dinâmica do local, sabe que essa qualificação é resultado de um brioso trabalho.
 

Pierre foi entrevistado pelo Portal CPP e descreveu a excelente qualificação atingida pela BVL.
 

Portal CPP: Qual o impacto deste prêmio?

Pierre Ruprecht: A BVL é a única biblioteca latino-americana como finalista. Este prêmio da IFLA é extraordinário. É a voz das bibliotecas públicas do mundo inteiro. Aliás, é um prêmio técnico. Ficamos muito felizes com essa colocação. Concorremos com bibliotecas da Holanda, Noruega, Estados Unidos e Cingapura, países que têm tradição de investimento em biblioteca pública e em leitura. O Brasil, infelizmente, não tem. A importância é sinalizar aos nossos gestores que investir em bibliotecas públicas de qualidade cria um impacto social, dá certo, funciona, e o custo é relativamente baixo em relação ao benefício.

Qual a relevância da biblioteca pública contemporânea?

A biblioteca pública hoje é importantíssima. Os Estados Unidos fizeram uma pesquisa apontando quais as profissões do futuro, dos próximos 20 anos, e em terceiro lugar estão todas as atividades de profissionais ligadas às bibliotecas públicas, porque são centros de inovação, de conhecimento, de construção autônoma.

O que você pode falar ao educador paulista em relação à BVL?

A escola e a biblioteca do futuro são extremamente convergentes porque precisam se oferecer como espaços que favoreçam ações de conexões. A biblioteca pública é um lugar de construção autônoma do conhecimento. Um espaço que é praticamente de educação continuada, porque a pessoa escolhe o que quer fazer. A biblioteca tem que se oferecer como um local onde a pessoa encontra pessoas com interesses similares, materiais e acervos disponíveis. A escola tem compromisso com o conteúdo; diferente da biblioteca pública. Mas há essa convergência. Há o espaço da literatura, da fabulação, tanto na educação como na biblioteca. Outra função da biblioteca pública é ser a casa da palavra. Cristovão Tezza, grande escritor brasileiro, declarou: "A literatura não está e nem deve estar a serviço de nada – nem mesmo da educação – a não ser da liberdade”. A biblioteca pública tem que ter o compromisso de ser um espaço livre. A BVL promove, por ano, cerca de 900 eventos culturais.

O que você acha da frase “o brasileiro não gosta de ler”?
Fui convidado para uma palestra na livraria Cultura, cujo tema era o gosto do jovem brasileiro pela leitura. A palestra foi marcada num domingo, depois do almoço. Havia dois especialistas da minha faixa etária. Pensei, não vai ter ninguém. Vamos discutir o assunto entre nós. Quando cheguei, a livraria estava tomada por uma garotada. No auditório havia seguranças barrando a entrada, porque tinha mais gente querendo entrar do que cabia. Então, notei que era um grupo de booktubers, jovens que usam o YouTube para comentar livros. Em parte, é verdade. A gente sabe que o brasileiro lê pouco. Mas isso não quer dizer que o brasileiro não se interesse pela leitura. Depende. Sempre ouvi falar que biblioteca não interessa a ninguém. A BVL, em julho, recebeu cerca de 50 mil pessoas. É preciso entender que a literatura e a leitura não é só uma questão de gosto, mas de direito. Precisamos defender o direito das pessoas à leitura. Vejo clubes de leitura com pessoas que não estão acostumadas aos clássicos. No final ficam completamente fascinadas. A BVL tornou-se um orgulho para nós, brasileiros.
 

Anote: A Biblioteca Parque Villa-Lobos fica na Av. Queiroz Filho, 1.205 – Alto de Pinheiros.
Telefone: (11) 3024-2500 | www.bvl.org.br