Sexta, 29 Mai 2020 06:06

'Algoritmo não substituirá professor', diz Claudia Costin

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'Algoritmo não substituirá professor', diz Claudia Costin Claudia Costin/Arquivo Pessoal

A pandemia do novo coronavírus mudou as relações pessoais em todo o mundo, o que se refletiu diretamente na prestação de diversos serviços. O distanciamento social impôs nova realidade ao trabalho de centenas de profissionais. É o caso dos professores, que, repentinamente, viram suas aulas migrarem das escolas para o ambiente virtual.

Sob quarentena desde março, o estado de São Paulo implementou um sistema de ensino remoto para amenizar os danos causados pela Covid-19 ao ensino paulista. Com isso, professores tiveram que se adaptar ao Centro de Mídias da Educação de São Paulo (CMSP), que oferece aulas por meio de equipamentos eletrônicos, e se familiarizar com tecnologia em tempo recorde: três dias de formação digital promovida pela Secretaria da Educação (Seduc).

Em funcionamento desde 27 de abril, quando foi retomado o primeiro bimestre, o CMSP aproxima educadores e estudantes, mas também amedronta. Professores confessam receio de que a tecnologia possa vir a substituí-los no futuro que já chegou, muito embora fatos indiquem que tal possibilidade é remota ou até mesmo impossível.

Pesquisadores garantem que o processo de ensino-aprendizagem depende de interação humana, especialmente entre jovens. Esse fato é esclarecido por Claudia Costin, professora visitante na Faculdade de Educação de Harvard e diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV).

"Estudos do cérebro mostram que o adulto já tem o córtex pré-frontal plenamente desenvolvido e pode aprender em interações não humanas; já crianças e adolescentes, não. E quanto menor a criança, mais ela aprende a partir da interação humana", afirma a especialista.

Em entrevista exclusiva ao Portal CPP, Claudia comenta a situação emergencial vivida pelos educadores e como será a escola presencial depois da quarentena, sugere trabalho coletivo como norte para formação continuada mais efetiva e dá dicas de como se destacar atualmente na carreira: "Seja o professor que mais te marcou na vida."


Ex-secretária de Cultura do estado de SP (2003-2005), é professora universitária, colunista do jornal Folha de S. Paulo e consultora em educação. Por videochamada, Claudia conversou com a reportagem em meados deste mês, chamando atenção ainda para a necessidade de autovalorização do professor, além da necessidade de apoio aos estudantes mais vulneráveis durante a pandemia.

 

Portal CPP: Que avaliação a senhora faz das ações que foram tomadas diante da pandemia, especificamente em relação aos métodos de ensino a distância?

Professora Claudia Costin: Havia pouca pesquisa sobre isso. No começo, até epidemiologistas chegaram a falar que a pandemia duraria umas três semanas, o que não aconteceu. Então, não houve tempo para planejamento. Não houve precedentes documentados desse tipo de situação no caso brasileiro. Evidentemente, o que está sendo feito no Brasil inteiro é aprender fazendo. Adotamos uma ação emergencial.

Uma possibilidade interessante aconteceu no estado de São Paulo, que tem duas feições. Primeiro, alguns países passaram por isso antes de nós, podemos aprender com a experiência deles. Eu participo de dois webnários semanais com outros países. É possível dizer que a maioria dos 190 países que tiveram as escolas fechadas, total ou parcialmente neste período, realizou uma abordagem que é uma combinação de quatro coisas.

Uma é online. Mesmo nos países africanos foi adotado o digital. A segunda é televisão, para aqueles que não conseguem ter acesso ao online, ou de forma complementar. Outra é o rádio, que foi o caso que o Brasil menos usou; no interior dos estados nós o usamos para orientar os pais. E a outra são cadernos escritos para aqueles que não têm nem televisão nem online.

Foi um dos aprendizados que pudemos aproveitar.

Como São Paulo tem se saído nesta ação emergencial?

O secretário estadual de Educação daqui participou da criação do Centro de Mídias no Amazonas, para abordar uma outra situação, não uma emergência, mas sim a questão das populações ribeirinhas, que aos poucos estavam entrando no ensino médio em lugares de baixa densidade populacional. Então, você reunia grupos de 20 ribeirinhos em uma mesma casa, que não chegava a ser propriamente uma escola, com um professor generalista, e as aulas eram irradiadas por satélite.

Para construir isso na rede estadual do Amazonas um aprendizado aconteceu e isso pôde ser trazido para o estado de São Paulo.

O que dizer da formação de professores, que foi feita às pressas, em três dias, e logo em seguida os profissionais já tiveram que atuar por teletrabalho?

É natural que os professores tenham receio. Eles não aprenderam isso na formação inicial. Embora alguns deles tenham passado por formação continuada sobre o mundo digital, não foi sobre como fazer com que a criança ou o jovem aprenda na sua casa.

Uma autoridade educacional da União Europeia deu um nome que para mim faz muito sentido: o que está acontecendo é uma aprendizagem emergencial remota, dentro das condições que ela pode acontecer. Teremos que ter muita humildade para admitir que, sim, nós não fomos treinados para isso. Mas, assim como outras profissões, inclusive da área da saúde, podemos aprender no meio da emergência.

Não será perfeito, mas há relatos muito interessantes — sou mentora de 50 secretários municipais de educação e três estaduais — de professores que tampouco sabiam nada sobre isso e estão tendo uma atitude bastante profissional e séria neste contexto, e de outros que têm um temor compreensível. Isso é típico de emergência, alguns tendem a se destacar e outros se sentem inseguros porque querem dar uma aula melhor possível em uma condição adversa.

Apesar de a pandemia exigir mais em termos de tecnologia, a área já se impôs há algum tempo. O Brasil avançou na questão da inclusão digital na formação de professor?

Ainda não avançou. Ele avançou nas faculdades particulares de bom nível. Boa parte das universidades federais e estaduais não está aderindo à educação a distância na formação para as outras profissões, inclusive. Nós não aproveitamos como poderíamos para fazer com que os futuros professores já estivessem familiarizados com o ambiente online, porque não houve uma política institucional universitária em relação a isso.

Mas as novas diretrizes de formação docente dão sinais de alinhamento profundo com a competência nº 5 da BNCC (Base Nacional Comum Curricular), de cultura digital. Isso precisa ser abordado na formação docente. O que não está sendo feito ainda suficientemente são formações continuadas em serviços, os HTPCs (Horário de Trabalho Pedagógico Coletivo), para usar uma linguagem paulista, trabalhando essa questão do digital. Mas isso vai chegar também, e é importante que na gestão das redes os coordenadores pedagógicos trabalhem com isso.

O que pode ajudar a melhorar essa formação?

Há um fato curioso. Especialistas comentam que só teremos formação continuada em serviço significativa na hora em que não associarmos formação continuada só com mestrado e doutorado e começarmos a olhar para o planejamento e o estudo colaborativos como formas de aprender em time. Assistir às aulas uns dos outros é a melhor forma de aprender em conjunto. "Como é que você faz na sua aula? Ah!, eu faço desse jeito. Venha assistir minha aula para aprender".

Na área da saúde, futuros médicos e até médicos mais seniores assistem a operações uns dos outros. Na educação, havia certo preconceito contra assistir aulas uns dos outros, e os coordenadores pedagógicos se sentiam receosos de entrar nas salas para poder dar dicas ou mesmo aprender, ou levar um professor mais júnior para assistir à aula de um mais sênior. Eu vi muito isso na Coreia do Sul. Era impressionante o número de professores que assistiam às aulas uns dos outros e eles tinham uma cota de aulas para assistir como parte da formação continuada em serviço.

Agora, com o mundo digital, pelo jeito, esse tabu se quebrou. Tomara que isso permaneça, porque a gente aprende muito uns com os outros. Não é para vigiar como o professor está dando aula, mas para tentar se apropriar ou até dar feedback a um colega. "Enquanto você dava aula, aquele jovem lá no canto estava muito distante, é bom prestar atenção nele". Coisas desse tipo.

A que a senhora atribui esse receio de professores assistirem às aulas uns dos outros?

Acho que tem a ver com uma visão equivocada do trabalho. Ser professor é uma profissão. Estou dizendo isso porque da maneira como a mídia trata os professores parece legal, mas não é. Tratam com pena. Coitadinho... é professor. Essa é a pior abordagem para qualquer profissional. Ninguém fala coitadinho, ele é médico. Isso acaba prestando um desserviço até para as pautas de reivindicação dos professores. Se alguém é um coitadinho, para que aumentar o salário dele? O coitadinho recebe piedade, não valorização profissional.

Um grande desafio para o professor quando ele ouve essa ideia da piedade é não cair na armadilha. Ele tem que tomar muito cuidado, porque, ao sentir essa “empatia”, ele pode de fato achar que é vítima. O professor é um profissional e todo profissional tem padrões éticos em relação a sua profissão. Normalmente as associações de classe se encarregam de estabelecer padrões éticos para a categoria. Além disso, ele é um profissional que precisa de contínua atualização, como, aliás, os médicos também precisam.

Eu fico imaginando o médico dizendo, “mas no meu tempo...”, como, aliás, ouvimos de alguns deles. “Mas no meu tempo a H1N1 não era assim, então, com a Covid-19 não pode ser”. Pode sim, essa é outra doença. Ou seja, nós também temos que estar em contínua atualização e dispostos a aprender com os colegas. Nós somos profissionais que operam em equipe. Se formos fazer uma metáfora com a música, nós não somos músicos solo, nós tocamos em orquestra. Educação Básica é tocar em orquestra. Por isso que deveríamos assistir a aulas uns dos outros para aprender ou se aperfeiçoar. Ou mesmo para transmitir o conhecimento para professores que estão começando a trajetória profissional.

Professores sairão melhores de uma pandemia que os obrigou a lidar com o mundo digital?

Eu acho que vai dar para aproveitar muita coisa. O ser humano aprende e dá saltos em crises, embora possa também regredir. Muitos dos avanços que nós tivemos na ciência estão relacionados a crises já vividas. Então, sim, dá para aproveitar, desde que as redes, a partir disso, enfatizem tais domínios na formação de professores; e as universidades, na formação inicial, apliquem a competência da BNCC voltada ao ambiente digital.

Ninguém vai formar bem jovens para desenvolverem competências digitais, se os próprios professores não investirem na sua formação digital — e se as redes não os apoiarem neste processo. Eu acho que esse é um dos saldos positivos da crise que estamos vivendo.

Outra questão, ainda mais séria, é a conectividade das escolas para banda larga de alta velocidade. Para aproveitar bem os recursos educacionais que temos hoje, deveríamos, e agora nós percebemos a importância disso, não só conectar bem as escolas, como conectar os domicílios.

Eu sou do tempo que serviço de telefone não era propriamente um serviço público. Era caríssimo ter um telefone. Mas, a partir dos anos 90, chegamos à conclusão de que telefone deveria ser um serviço público, e isso progressivamente foi se estabelecendo. Chegou a vez da internet de banda larga, com acesso a dados, tornar-se serviço público efetivo para todos, especialmente nesta fase de aprendizagem remota.

Além da internet, há a questão dos equipamentos. Alguns professores relatam que não têm celular, ou que determinado aparelho não é avançado a ponto de carregar aplicativos do Centro de Mídias usado neste momento. O que fazer?

Precisamos dotar professores e alunos de equipamentos que não precisam ser de última geração, mas que possam se apropriar de todos os avanços que a tecnologia proporciona à aprendizagem.

No caso da internet, há uma questão, que São Paulo entendeu talvez um pouco antes dos outros, que é a negociação com as empresas de telecomunicação para conseguir preço razoável do pacote de dados ligados ao aplicativo, adquirindo-o para professores e alunos.

Outra questão é que, no mundo em que vivemos, tudo isso vira ferramenta de trabalho para o professor. O professor vive em rede. Ele não é um profissional liberal, em que o bem é só dele. Na educação, é um bem das secretarias, necessário para prestação do serviço. Nós precisamos, sim, de equipamentos adequados para professores e para os alunos dentro das escolas, mesmo porque isso tende a ser permanente.

Pelo que estou lendo do retorno às aulas, em que se fala de rodízio de alunos, ou de comparecimento por etapas, continuaremos com a aprendizagem emergencial remota durante bastante tempo. Seja no sentido híbrido, em que os alunos têm aulas presenciais duas, três vezes por semana nas escolas, e duas vezes em casa, seja para usar no ambiente escolar. Isso veio para ficar.

Recentemente, professores relataram que diretores solicitaram o número de celular privado para montar grupos de alunos e aulas, o que levanta discussão sobre privacidade. Não é inviável requerer meios pessoais no ambiente de trabalho?

Eu acho que se fosse outra a situação, seria um absurdo. Mas nós estamos vivendo uma emergência, estamos com crianças e adolescentes perdendo pessoas da família. Acho que é momento de generosidade. Eu, se fosse diretora, pediria e ficaria um pouco triste com aqueles colegas que dissessem não, referindo-se a material privado. Não é obrigatório por lei, evidentemente, mas é uma questão de olhar para aqueles que mais precisam. Empatia, empatia no bom sentido.

Depois de apresentar o Centro de Mídias, o secretário Rossieli Soares deu uma declaração de que havia receio entre professores de que a tecnologia os substituísse. Como responder à questão?

É um receio muito pertinente, porque vivemos em tempos de quarta revolução industrial. O que quer dizer que o trabalho humano, inclusive aqueles que demandam competências intelectuais, pode vir a ser substituído por máquinas. Não estamos malucos por pensar nessa hipótese.

No entanto, os dados mostram que faltam professores. Quando trabalhamos com crianças e adolescentes temos pessoas que aprendem, de acordo com pesquisas do cérebro, pela interação humana. O adulto que já tem o córtex pré-frontal plenamente desenvolvido pode aprender em interações não humanas, já crianças e adolescentes, não. E quanto menor a criança, mais ela aprende a partir da interação humana. E ela precisa também absorver uma série de questões que se aprendem em grupo, não só durante a aula, mas em sessões de recreio, em outras dinâmicas, porque ela está aprendendo a viver numa sociedade mais ampla do que sua própria família.

Para tudo isso um professor é fundamental. Nós temos hoje plataformas adaptativas, uma série de coisas que vão nos ajudar neste fazer do professor, que vão poder dar resposta mais adequada de quais são as lacunas de aprendizagem de cada criança ou adolescente. E até direcionar para que tipo de atividades vão suprir essas falhas. Isso é importante porque nós temos salas de aula com muitos alunos, e não creio que no curtíssimo prazo isso vá mudar.

Mas substituir o professor não, não vai. Somos uma das profissões em que há consenso de que não seremos substituídos por algoritmos.

Como lidar, a propósito, com deseducação por meio de algoritmos? Chats e campos de comentários de aulas online estão recheados de comportamento inadequado, mensagens de baixo calão, por exemplo, por parte de jovens estudantes. O que o professor pode fazer numa situação dessas a distância?

Em primeiro lugar, os adolescentes replicam e exacerbam aquilo que veem na cena pública. Em tempos de redes sociais e de autoridades que usam palavras de baixo calão e não civilizadas, os jovens vão replicar isso ainda mais. Na aula presencial já faziam isso, infelizmente.

Eu me considero uma humanista, ou pelo menos esse é o meu ideário. Então, o nosso papel, como educadores, é justamente de dizer que neste ambiente determinada linguagem é inapropriada. Não só em relação a palavra de baixo calão. É nosso papel ensinar a forma culta da língua, ou seja, podemos informalmente brincar e dizer “olha, mas essa linguagem é própria para vocês conversarem com colegas, aqui nós estamos dando a chance a todos de aprenderem a norma culta da língua”.

Isso passa não só por um português correto, como normas de polidez. Se quiserem usar entre amigos linguagem não polida ou a forma menos culta da língua, é outra coisa. Mas é nosso papel de educador advertir. Um professor educa o tempo todo, inclusive em aulas online. Se eu fosse dar um conselho para um professor, seria “use a mesma abordagem que você usaria na aula presencial”.

 

O que os professores podem fazer para se destacar atualmente? Como ser e fazer diferente?

O pior jeito de se colocar é não aderir ao novo. É dizer que não aprendeu e não vai fazer nada, porque não foi preparado. E o melhor jeito de se destacar é olhar para as crianças mais vulneráveis.

Vivemos um risco muito grande de desigualdades educacionais se aprofundarem muito. E as crianças que estão em lares mais afluentes já têm uma vantagem de largada, vivendo mais horas numa família em que à mesa se fala de fatos, que a cultura de alguma maneira aparece na conversa durante o jantar. Esses estão ouvindo explicações científicas e debates sobre o coronavírus, para pegar uma questão que todo mundo tem falado nas famílias. Além disso, eles têm mais livros em casa, acesso à internet mais rápida, uma série de vantagens.

Uma das cenas que me tocou o coração ocorreu em Goiás. Uma área inundou e ficou sem acesso por carro, impedindo pais de buscarem na escola material escrito para os filhos. Duas professoras foram de casa em casa numa vila rural a cavalo, para levar o material.

Não estou pedindo para professores virarem heróis. Mas professor tem um comprometimento profundo com o processo de aprender das crianças. Da mesma maneira que estão acontecendo casos lindos na área da saúde, de empenho pela vida, na educação, guardadas as devidas proporções, também acontecem cenas belíssimas.

Não precisa chegar nesse nível de heroísmo, basta ser bom profissional. Seja o professor que mais te marcou na vida, aquele que você lembra para o resto da vida, e não o professor que você teve a experiência como aluno de que não preparava aula ou que não levava a sério a profissão, que não estava nem aí para o que se passava com os alunos.

E a volta às aulas presenciais, como será?

Outro dia postei algo sobre retorno às aulas em minha conta no Twitter, não me lembro se era de Portugal, mostrando como eles estão se organizando. Aí uma professora comentou, apavorada, que aquilo não tinha como acontecer no Brasil. E outros falaram que as aulas não poderiam voltar por aqui. De fato, os cuidados naquele país foram muito grandes, tirando temperatura das crianças, com equipamentos para isso e aquilo. Mas não resisti e respondi que, então, pelas diferenças, nunca mais poderíamos voltar às aulas, com base naquele raciocínio.

Provavelmente, todos os estados estão trabalhando nisso. E municípios vão estabelecer protocolos olhando a experiência internacional, do que dá para fazer com segurança. Certamente haverá um rodízio de alunos, para diminuir o tamanho de turmas. Os alunos vão ter aula três vezes por semana, um primeiro grupo, duas vezes outro. Depois, na semana seguinte, o que teve só duas aulas passa a ter três, com tarefas para fazer em casa e assim por diante. Isso é o que eu acredito que vai acontecer no momento de retorno. Mas esclareço que ainda não estamos no momento de retorno.

Além disso, uma série de regras de cuidados, como uso de máscara pelos professores, serão adotadas. Aproveito para dizer que na educação infantil muito provavelmente nós não vamos colocar máscara nas crianças, será nos professores. E os professores vão ter que descobrir um mecanismo para fazer com que as crianças mantenham certa distância umas das outras, o que é muito difícil na educação infantil. Mas nós vamos ter que usar a criatividade para que isso aconteça, talvez testá-los de alguma maneira.

Nos mais velhos, além de máscaras, vamos ter que apostar na maturidade um pouco maior de adolescentes, o que é sempre arriscado, para evitar o contágio entre eles e, a partir deles, das famílias. Mas em algum momento deste ano voltaremos. O importante é voltar com segurança.

Para além de todas as mudanças no dia a dia de professores, a pandemia paralisou questões importantes para a educação. É o caso do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica), que expira neste ano. O que deve ser feito com pautas prioritárias?

Não tem motivo para ter paralisado as discussões. Há sessões virtuais na Câmara, então, não há razão para não discutir. Tanto na Câmara quanto nas assembleias legislativas, em relação a outras pautas educacionais.

Temos que começar a discutir o resto da vida. O mundo para em parte por causa do novo coronavírus, mas não totalmente. O Fundeb vence em breve, e nós vamos ficar sem mecanismo de financiamento para a educação? Educação de qualidade custa caro. E aperfeiçoar o Fundeb é importante para garantir maior equidade.

Nós precisamos ampliar o caráter redistributivo do Fundeb e, para isso, teremos que aumentar os aportes da União, com certeza. Nós temos estados mais pobres e, mesmo dentro de estados ricos, como São Paulo, municípios mais pobres. Temos que ampliar os recursos.

E também não basta ter a legislação. Precisaremos de uma norma infralegal, constitucional, para que aconteça direito.

Antes da pandemia, parecia que estávamos caminhando para um consenso com o projeto de relatoria da deputada Professora Dorinha. Mas paralisou completamente, e isso é um grande risco. O MEC (Ministério da Educação) não se envolveu, não apresentou uma proposta dele, e as chance de termos no final uma proposta que ninguém vai discutir direito serão imensas.

Que avaliação faz do MEC?

Se nós não olharmos com mais seriedade para a política pública, no caso, a política educacional, em vez de brincadeiras de rede sociais ou vontade de polarizar, não avançaremos. O Brasil tem desafios enormes. Nós precisamos de muita seriedade na gestão da política educacional.

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