Segunda, 12 Abril 2021 16:31

Problemas extras acionam estresse em professores e alunos

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O estresse decorrente do cenário atual de pandemia tem um impacto profundo no desenvolvimento das crianças, afetando diretamente as funções do sistema executivo do cérebro, responsável por controlar as emoções, pensamentos e ações na vida social, intelectual e afetiva.

“No ambiente específico de aprendizagem, algumas dificuldades extras acionam nosso sistema de estresse no cérebro. Do lado dos professores, temos que considerar que existe uma autocobrança e uma responsabilidade com o aprendizado dos alunos em um ambiente não tão propício como a sala de aula para que a aprendizagem ocorra”, explica o neurocientista Nicolas Cesar, convidado pelo Portal CPP para elencar os principais aspectos da ansiedade e do estresse em professores e alunos gerados em plena pandemia.


             “Estamos falando de um estresse  prolongado, crônico”

Em primeiro lugar, o estresse e a ansiedade andam de mãos dadas. Cada indivíduo tem uma propensão a reagir a situações estressantes com maior ou menor intensidade, a depender da sua herança genética. Isso quer dizer que temos uma sensibilidade inata ao estresse e ela varia de pessoa para pessoa. Somado à nossa genética, temos o papel decisivo do ambiente. A situação que estamos vivendo, caracterizada pela incerteza, pelo medo e por tantas notícias ruins (tanto de mortes, como no âmbito político da gestão da pandemia) são fatores que contribuem significativamente para desencadear reações mais fortes de estresse. Além disso, estamos falando de um estresse prolongado, crônico. Sabemos que os transtornos de humor, como ansiedade e depressão, têm forte conexão com eventos de estresse intenso e crônico, o que faz do momento que estamos vivendo um forte candidato a desencadeá-los.


"A autocobrança dos professores com o aprendizado dos alunos"

Do lado dos professores, a autocobrança e responsabilidade com o aprendizado dos alunos. No ambiente específico de aprendizagem, algumas dificuldades extras acionam nosso sistema de estresse no cérebro. Do lado dos professores, temos que considerar que existe uma autocobrança e uma responsabilidade com o aprendizado dos alunos em um ambiente não tão propício como a sala de aula para que a aprendizagem ocorra. Há aspectos importantes da aprendizagem que dependem do contato social, e isso está prejudicado com o ensino remoto. Isso por si só já pode gerar estresse nos professores. Outros fatores, como falar diante da câmera podem ser um estressor para muitas pessoas, gerando até mesmo sensação de ansiedade, seja pelo medo de falar diante da câmera, ou ainda de falar algo que não seja preciso o bastante e que ficará registrado ali. Além disso, o ambiente doméstico impõe as suas dificuldades, que podem atrapalhar o foco do professor durante a aula, gerando ainda mais estresse.


            "Ao aluno, o impacto na sua aprendizagem e na sua saúde mental"


Do lado do aluno, pode ser realmente difícil instalar uma rotina de estudos adequada. Pode ser uma tarefa bastante difícil. O estresse está relacionado com a detecção de ameaças, um sistema do nosso cérebro que dispara reações no corpo de maneira automática, independente da nossa vontade. No entanto, há certas coisas que podemos fazer para contornar isso. A mais importante é conhecer a si mesmo. Para manejar nossas emoções, precisamos nos tornar cientes delas. Quais contextos fazem com que eu me sinta ansioso(a) ou estressado(a)? Quais os gatilhos específicos/estímulos no ambiente que me deixam mais vulnerável? Quais crenças eu carrego que fazem eu me sentir pior? Estresse e ansiedade são respostas a esses estímulos condicionadas pelas nossas crenças de como devemos reagir a essas situações. Entender quais são os estímulos que fomentam esses sentimentos é essencial para tomar controle sobre a situação emocional do momento. Entender mais sobre o cérebro e como ele gera e responde ao estresse pode ser muito útil neste sentido.

"O estresse está relacionado com a detecção de ameaças"

Prevenir que o estresse e a ansiedade nos afete pode ser uma tarefa bastante difícil. O estresse está relacionado com a detecção de ameaças, um sistema do nosso cérebro que dispara reações no corpo de maneira automática, independente da nossa vontade. No entanto, há certas coisas que podemos fazer para contornar isso. A mais importante é conhecer a si mesmo. Para manejar nossas emoções, precisamos nos tornar cientes delas. Quais contextos fazem com que eu me sinta ansioso(a) ou estressado(a)? Quais os gatilhos específicos/estímulos no ambiente que me deixam mais vulnerável? Quais crenças eu carrego que fazem eu me sentir pior? Estresse e ansiedade são respostas a esses estímulos condicionadas pelas nossas crenças de como devemos reagir a essas situações. Entender quais são os estímulos que fomentam esses sentimentos é essencial para tomar controle sobre a situação emocional do momento. Entender mais sobre o cérebro e como ele gera e responde ao estresse pode ser muito útil neste sentido. 


"Há maneiras que ajudam a acalmar"


Além disso, outras medidas podem ajudar: estabelecer uma rotina bem definida e planejada de estudos e segui-la à risca; buscar atividades meditativas que costumam acalmar a mente e reduzir; evitar a procrastinação que abre pendências na mente do indivíduo fazendo com que ele(a) se sinta ainda mais estressado(a); manter seu ambiente de estudo/aprendizagem organizado; ser participativo(a) e apoiar o trabalho dos professores(as) que precisam se empenhar ainda mais neste momento para garantir sua aprendizagem; e por último, mas não menos importante, ter uma boa rotina de sono. O sono é fundamental para a manutenção da boa saúde e do funcionamento do cérebro, sendo de extrema importância, tanto para a aprendizagem, quanto para a redução do estresse.



Neurocientista Nicolas Cesar

Formado em Ciência e Tecnologia e em Neurociência pela Universidade Federal do ABC, palestrante, autor do livro “Neurociente - Por que algumas pessoas são mais felizes que outras”, professor dos cursos on-line “Neurociência no dia a dia” e “Neuroeducação e do curso acadêmico de Pós-Graduação em Neurolearning. Atualmente participa de uma de linha de pesquisa em percepção de tempo no Laboratório de Cognição Humana da UFABC.

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