Quinta, 14 Julho 2016 14:43

Turma da Mônica: nota 10 em incentivo à leitura

Mônica de Araújo
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Pode passar o tempo. Mas seja qual for a sua idade, o certo é que em algum momento, em alguma fase, a Turma da Mônica esteve presente proporcionando entretenimento, incentivo à leitura e muita diversão em sua vida. Está na memória de todos. Tem cheiro de infância, de alegria, de família, de escola. Mais atualizada do que nunca, a Turma da Mônica  acompanha o crescimento da mais nova geração. Seu criador mantém o posto incontestável de maior formador de leitores do Brasil e a marca líder em licenciamento de produtos no País.

Maurício de Sousa, aos 80 anos de idade, é o mais famoso e premiado autor brasileiro de quadrinhos. Seu trabalho diário mantém a criação e publicação de histórias que abastecem o imaginário de crianças e adultos de diferentes culturas. Seus personagens carismáticos transmitem valores de cidadania, responsabilidade, companheirismo  e educação. O reconhecimento por seu trabalho transcende as fronteiras brasileiras. Em diversos países seu nome é mencionado como referência em quadrinhos e como exemplo de sucesso.
 

Foco permanente da mídia, entre uma reportagem e outra,  o consagrado cartunista concedeu esta entrevista ao Portal CPP no estúdio da Maurício de Sousa Produções, na Lapa, bairro da zona oeste de São Paulo. Confira.


Portal CPP: A Maurício de Sousa Produções envolve cerca de 300 funcionários, diretos e indiretos. Como é a atuação do seu estúdio neste complexo de comunicação?

Maurício de Sousa: Meu estúdio produz histórias em quadrinho e desenho animado. É como uma escola. Comecei desenhando sozinho. Com o passar do tempo, fui contratando auxiliares. Naquela época não havia escolas de histórias em quadrinhos. Então, quando eles chegavam, eu explicava tudo, aprendiam e pegavam o jeito. Esse estúdio foi e sempre será uma escola, onde tudo começa com projetos, desenhos, revistas, livros de desenhos animados, tudo começa por aqui. Meus funcionários são meus alunos, por isso quero ser aquele professor que tive, que eu adorava, que sabia explicar tudo numa boa. Não tenho nenhuma dificuldade em explicar até o pessoal aprender, assimilar. 

O Centro do Professorado Paulista é uma entidade de classe que há 86 anos está ao lado do magistério de São Paulo. Quais as características de um bom professor?

Quando eu era aluno gostava daquele professor que falava para o coração. Os outros professores falavam de uma maneira mais direta, mais para a cabeça.

Como membro da Academia Paulista de Letras  e como autor que já alcançou o extraordinário número de um bilhão de revistas publicadas, o que você sugere aos pais e educadores para que possam estimular a leitura às crianças?

Devem procurar publicações, revistas e livros de bons autores que tenham uma filosofia adequada ao ensino e que estejam a postos sempre que os leitores precisarem e quiserem  buscar por uma informação. Tem que haver essa ponte. Hoje é muito mais fácil com ajuda da internet. Uma comunicação fácil é o melhor caminho para se manter o leitor perto da gente.

A Turma da Mônica tem sido muito utilizada  como recurso didático em sala de aula para trabalhar diferentes aspectos da vida do aluno. Como foi para você acompanhar a evolução da escola durante essas décadas com características e valores tão mutantes?

Nós, aqui do estúdio, ficamos ligados na comunicação, nas informações. Mantemos  sempre os olhos abertos nas mudanças da comunicação incluindo sempre gente jovem em nossa equipe, com a mesma linguagem. Assim a comunicação não envelhece. Uma história de 50 anos é entendida como uma história de hoje. Mas uma coisa que me ajudou a falar com a criança é que, no decorrer de 50 anos, tive 10 filhos. A cada filho, eu atualizava a linguagem (risos).Entre quadrinhos e tiras de jornais, suas criações chegam a cerca de 30 países. Como a Turma da Mônica ganhou o mundo?

Quando comecei a andar pelo mundo para vender meu material, levar as histórias para outros países, eu tinha dúvida se as histórias seriam bem recebidas. Não tinha certeza nenhuma. Cada país tem uma cultura. Mas, para  minha surpresa as histórias que tínhamos foram aceitas no mundo inteiro. Todas têm um DNA universal. Falamos coisas palpáveis para que o pessoal possa sentir em todos os lugares e ultrapassar as barreiras do mercado internacional. Publiquei até na China, alfabetizamos até em mandarim! E também na Indonésia, países nórdicos e na América do Sul. As histórias são publicadas do jeito como fazemos. A filosofia é mantida. Não mudam nada porque os temas são universais. 

O Instituto Cultural Maurício de Sousa desenvolve campanhas educacionais e sociais expondo assuntos relevantes para a conscientização pública. Você pode nos contar a respeito da atuação do Instituto?

O instituto ainda não está do tamanho e do jeito que eu quero. Preciso de uma equipe maior. Há campanhas que estão funcionando bem. Mas eu quero mais. É preciso desvincular o Instituto do MSP (Maurício de Sousa Produções). Então terei mais liberdade para criar. Quero ter liberdade para ensinar.
Para finalizar, que mensagem você  pode deixar ao professor da rede pública, associado do CPP?

A sina do professor é ensinar o aluno a ler. Entretanto, é preciso dar melhores condições para o professor ensinar. Se pudéssemos encontrar um jeito para a criançada ler, ler e ler, já teríamos meio caminho andado para resolver os problemas desse País.

1 Comentário

  • Link do comentário Raquel RODRIGUES DO PRADO Domingo, 18 Setembro 2016 18:09 postado por Raquel RODRIGUES DO PRADO

    Parabéns pela entrevista e o incentivo à leitura para muitos educadores e crianças .Maravilhoso trabalho!!!

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