Sexta, 05 Mai 2017 18:10

Prefeitura fecha espaço de lazer e leitura por vaga na pré-escola

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Com o objetivo de ampliar vagas na educação infantil, a gestão João Doria (PSDB) tem fechado espaços como brinquedotecas e salas de leitura nas escolas para criar salas de aula para atender crianças de 4 e 5 anos. Professores e especialistas afirmam que essa política de expansão pode precarizar o ensino.

A medida foi informada às escolas, a partir do final de março, em e-mail da Secretaria de Educação. Salas de informática e vídeo também têm sido transformadas em novas classes de pré-escola.

Emenda constitucional de 2009 tornou a matrícula de crianças de 4 e 5 anos obrigatória. O prazo final para universalizar esse atendimento acabou no ano passado e o não cumprimento pode provocar questionamentos judiciais contra a administração.

Segundo a secretaria, 33 escolas passaram por algum tipo de mudança –de um total de 558. Foram readequadas 11 salas de informática, 5 salas de leitura e 3 brinquedotecas. Ao todo, diz a gestão, foram criadas 74 turmas em dois turnos diurnos de seis horas. A pasta diz que a mesma medida ocorreu em salas de informática na administração passada (leia mais abaixo).

Educadores reclamam que não houve discussão prévia com a prefeitura e que projetos pedagógicos para esses espaços foram prejudicados. Pais de alunos da Cemei Capão Redondo (zona sul) foram avisados nesta quarta-feira (3) que a brinquedoteca deu lugar a uma classe. Na unidade, funcionam creche (até 3 anos) e pré-escola.

"A professora disse que tiraram a brinquedoteca contra a vontade dela. É um espaço a menos", diz a dona de casa Angela Rodrigues, 33, mãe de uma aluna.

Na Escola de Educação Infantil Thais Motta, em Taipas (zona norte), duas classes foram criadas no lugar das salas de leitura e informática. A direção improvisou a sala de leitura no pátio interno e livros foram espalhados em outros espaços. Um educador que pediu para não ser identificado disse que o trabalho pedagógico foi "desrespeitado" e que, em uma dessas salas, as aulas começaram sem lousa.

Moradora de Taipas, a funcionária pública Aline Febraio, 30, precisou transferir seu filho de 5 anos para uma escola no bairro e ficou seis meses à espera de vaga. Conseguiu a matrícula em uma das novas salas abertas. "Ele até chorava sem ir pra escola, então foi um alívio. Mas não achei a melhor solução", diz. "Não faz sentido eles ficarem só na sala, era importante ter esses espaços."

Leia a matéria na íntegra aqui.

Fonte: Folha de S. Paulo

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