Quarta, 08 Agosto 2018 16:48

Com entrada gratuita, Liceu de SP reabre após incêndio e restauração

Avalie este item
(0 votos)

Em 2014, fogo atingiu galpão com parte do acervo e centro cultural da instituição

Com a reabertura ao público marcada para este sábado (11), o espaço sai das cinzas de volta à vida cultural da cidade com a exposição permanente "História e Memória", sobre o próprio Liceu, e uma mostra temporária de design brasileiro e sustentabilidade. A entrada é gratuita.
 

"O centro cultural se prestará às atividades da própria escola e exposições e eventos sociais que podem nos ajudar a gerar receita", diz Livio de Vivo, advogado e há 12 anos presidente do Conselho Diretor do Liceu de Artes e Ofícios.
 

Do conselho voluntário faz parte também o arquiteto Ricardo Julião, cujo escritório cedeu o projeto de restauro e de reconstrução do galpão.
 

Para a área externa, uma fachada em chapa metálica com floreiras foi pensada para interligar horizontalmente um antigo pórtico (também restaurado) e a nova entrada.
 

Do lado de dentro, o porão que funcionava como depósito foi aberto e integrado, formando o espaço expositivo com pé-direito de 11 metros.
 

Toda a arquitetura do local foi pensada a partir da conjugação de elementos originais, como os tijolos que revestem os pilares, e a roupagem contemporânea.
 

"É um galpão industrial com uma história curiosa. A Alemanha participou de uma feira na virada do século e importou uma grande estrutura metálica. O Kaiser, ao invés de mandá-la de volta depois do evento, a doou ao Liceu", conta o arquiteto Ricardo Julião.
 

Segundo ele, houve uma avaliação de que a estrutura teria de ser preservada, apesar de ter perdido sua capacidade de suportar o prédio.
 

Para isso, segundo ele, as peças foram desmontadas, numeradas e depois recolocadas em caráter decorativo.
 

No piso inferior, "História e Memória" revive a trajetória do Liceu e sua contribuição para a cidade: fundado em 1873 por um grupo de aristocratas da elite cafeeira, o Liceu se transformou em referência pelas oficinas de marcenaria, serralheria e desenho.
 

Atualmente, a instituição forma técnicos em eletrônica, automação, edificações e multimídia, além de ser uma escola de ensino médio com forte vertente filantrópica e 600 alunos.
 

"Fizemos um levantamento de toda a documentação e escaneamos mais de 3.000 fotos. Constatei que a gente tinha memórias de excelência, esparsas e sem data, e resolvi fazer a exposição em linha do tempo, com uma área dedicada às relações entre o Liceu e São Paulo", diz Denise Mattar, curadora da mostra. 
 

Das oficinas do Liceu, saíram por exemplo, as poltronas do Theatro Municipal, os portais em madeira da Catedral da Sé e as esquadrias metálicas do Masp. 
 

Na exposição, uma imagem ampliada deflagra uma centena de operários aglomerados dentro da base da estátua equestre de Duque de Caxias, concebida por Brecheret e hoje na praça Princesa Isabel.
 

"Era uma indústria escola. Os alunos aprendiam aqui e ficavam, trabalhando com uma qualidade impressionante", complementa a curadora.
 

Enquanto uma exposição recupera o passado, a segunda mostra "Design Brasil Séc. XXI" (curadoria Fernanda Sarmento, primeiro piso) apresenta uma coleção de 50 móveis e objetos brasileiros que têm a sustentabilidade como parâmetro: usam materiais que reduzem o impacto ambiental e trabalham com inclusão social.
 

Expostos lado a lado, trabalhos de designers consagrados (Irmãos Campana, Zanini de Zanine, Marcelo Rosenbaum) dividem espaço com projetos inovadores de jovens, alguns recém-saídos da universidade. 
 

Uma programação de palestras a ser realizada em setembro traça vínculos entre design e tecnologia. Associação sem fins lucrativos, a escola e o centro cultural são mantidos com os recursos da indústria Liceu de Artes e Ofícios, fabricante de hidrômetros e medidores de água desde os anos 1930.
 

Parte dos terrenos que ocupa pertencem ao Governo do Estado de São Paulo cedidos em regime de comodato.
 

A instituição não divulga custo da recuperação, orçamento para o novo centro cultural nem montante recebido pelo seguro contra incêndio.
 

Também não são claros os eixos que orientarão a programação no futuro —"Aquilo que o pessoal da área nos recomendar e aquilo que o clima artístico da cidade exigir", diz o presidente do conselho. Segundo ele, todas as atividades terão envolvimento de professores e alunos do Liceu.
 

O fogo no Liceu destruiu especialmente réplicas em gesso de esculturas clássicas, trazidas da Europa na virada do século e expostas no antigo Centro Cultural entre 1980 e 2014.
 

Fonte: Folha de S. Paulo

Deixe um comentário

Certifique-se de preencher os campos indicados com (*). Não é permitido código HTML.
Campo destinado a comentários relacionados à notícia. Duvidas sobre Vida Funcional devem ser encaminhadas aos respectivos setores.
Clique aqui para ver os contatos.