Quarta, 20 Março 2019 11:02

Falta segurança, infraestrutura e higiene nas escolas do município SP

Avalie este item
(0 votos)

Tribunal de Contas do Município apontou diversos problemas nas escolas da capital; apenas 14% possuem biblioteca e só 30% papel higiênico no banheiro

Um relatório realizado pelo Tribunal de Contas do Município de São Paulo apontou a violência como um dos principais problemas nas escolas municipais de Ensino Fundamental da capital paulista. Casos de agressões verbais foram relatados em 77% das escolas. Entre os professores, 67,9% dos entrevistados relataram ter sofrido agressão verbal de aluno ou responsável por aluno.

Técnicos do tribunal fizeram vistorias em 46 escolas da rede em 2018. Foram entrevistados mais de mil professores, gestores e estudantes durante cerca de sete meses. Além das agressões verbais, 16,8% dos gestores e 15,7% dos professores declararam terem sido vítimas de agressão física.

Nos bairros de Itaquera, Penha e Santo Amaro, os índices de violência física ultrapassam os 20%. Nessas três diretorias de ensino, a agressão entre alunos também foi um dos problemas mais citados pelos alunos.

Quase metade dos gestores (47,7%) afirmaram que consideram a frequência da ronda escolar realizada pela Polícia Militar insatisfatória. No último ano, 17,8% das escolas sofreram invasão, assalto ou furto, sendo que todas possuem vigilantes.

Em nota, a Secretaria Municipal da Educação afirma que a a "a amostragem analisada representa apenas 1,3% da rede", que tem 3,5 mil escolas e 1 milhão de estudantes. "A rede municipal esclarece que não possui aulas sem atribuição nos anos finais do ensino fundamental. Toda disciplina vaga por ausência do professor regente é ocupada por um substituto." (Leia abaixo a nota na íntegra)
 

Falta papel higiênico e sabonete

Para os alunos, a principal reclamação é em relação à infraestrutura das escolas. A condição precária dos banheiros foi citada por 57% dos entrevistados.

Os técnicos constataram que apenas 30% das escolas tinham papel higiênico no banheiro e somente uma em cada cinco unidades escolares (19%) deixam papel toalha e sabonete líquido junto às pias. Em mais da metade (54%) não foram encontrados assentos nos vasos sanitários. 

Veja outros problemas encontrados:
  • Apenas 14% das unidades de ensino possuem bibliotecas e 17% laboratório de Ciências.
  • Quase metade das escolas (45,4%) possuía disciplinas sem professor.
  • 42,6% dos docentes dão aula em mais de uma escola, sendo que em todas as escolas havia professores acumulando cargos.
  • Metade dos professores entrevistados declararam não haver livros didáticos suficientes para todos os alunos.
  • A falta de participação dos pais foi citada com um problema pela maior parte dos professores (59,3%) e gestores (58,0%).
  • 43,5% das escolas não são acessíveis para pessoas com deficiência.
  • Em mais da metade das escolas (59,1%) foram encontrados móveis e equipamentos danificados.
  • Somente uma unidade escolar declarou possuir Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros, documento que certifica que o prédio possui as condições de segurança contra incêndio.
  • Dos gestores, 68,9% não são efetivos nos cargos
  • Dos servidores da área administrativa, 30,6% são readaptados, ou seja, não exercem seus cargos de origem devido a alterações de seu estado físico ou psíquico
     
Nota da prefeitura

"A Secretaria Municipal da Educação informa que a Rede Municipal conta com 3,5 mil escolas e 1 milhão de estudantes. Já a amostragem analisada representa apenas 1,3% da rede.

A rede municipal esclarece que não possui aulas sem atribuição nos anos finais do ensino fundamental. Toda disciplina vaga por ausência do professor regente é ocupada por um substituto. 

Em relação à estrutura, citada pela reportagem, é importante ressaltar que as escolas da Rede Municipal de Ensino receberam no final de 2018 um recurso extra pelo Programa de Transferência de Recursos Financeiros (PTRF) no valor de R$ 41.459.294,70. Este recurso é destinado à realização de serviços essenciais das unidades educacionais tais como pinturas, manutenção, podas, pequenos reparos, além da reposição de vasos e peças sanitárias. A contratação destes serviços e a aquisição de material são de responsabilidade das direções escolares mediante necessidade, e a fiscalização da aplicação dos recursos financeiros cabe às Diretorias Regionais de Educação.

Sobre os relatos de agressões verbais e físicas, a Secretaria esclarece que desenvolve ações de prevenção por meio das Comissões de Mediação de Conflitos presentes nas escolas da rede municipal. Na rede essas comissões, formadas por educadores, têm função de orientar a comunidade escolar, sugerindo medidas para a prevenção e resolução dos conflitos; identificar as causas das diferentes formas de violência no âmbito escolar; e apresentar soluções e encaminhamentos à equipe gestora da unidade educacional para equacionamento dos problemas enfrentados. Além disso, em situações que exijam intervenções além das possibilidades escolares, os casos são encaminhados para um dos 13 Núcleos de Apoio e Acompanhamento para Aprendizagem (NAAPA), que desenvolvem articulação junto à equipe escolar, a família e a rede de proteção social do território.

Quanto à internet, atualmente a Secretaria conta com cerca de 1600 pontos de internet em todas as unidades escolares, dos quais as velocidades contratadas variam entre 4, 8 e 16 megas, de acordo com o tipo de unidade e as demandas quais atendem.

A Pasta prevê, para o segundo semestre de 2019, ações que visam ampliação da capacidade dos recursos de conectividade e de qualidade do sinal wi-fi das unidades. Dentre essas ações destacam-se projetos como a ampliação das velocidades de conexão. Dos 46 CEUs, 40 contam com novos pontos de internet de 100 megas de velocidade, estima-se que ainda nesse semestre todos os 46 CEUs serão contemplados com a ampliação. relação aos dados sobre acessibilidade, todas as novas unidades educacionais construídas pela Secretaria atendem aos parâmetros de acessibilidade. Além disso, a cidade de São Paulo aderiu ao Programa: “Escola Acessível” do Ministério da Educação - MEC, que distribui recursos financeiros diretamente às escolas contempladas para a aquisição de equipamentos de tecnologia assistiva e para reformas visando promover acessibilidade. Em 2018, cerca de 300 escolas foram contempladas e receberam recursos referentes ao programa." 
 

Fonte: G1

1 Comentário

  • Link do comentário Maria das Graças Santana de Almeida Quarta, 20 Março 2019 21:29 postado por Maria das Graças Santana de Almeida

    Isso acontece também nas escolas estaduais... Falta tudo desde material essencial como giz , papel higiênico , Tv, computador, papel sulfite etc... Agora o governo diz que manda verba , mas o que é feito com o dinheiro??? Numa escola ninguém tem conhecimento do quê, e nem para onde é destinado a verba...Se não existe prestação de contas aos interessados que sao os professores, pais e comunidade escolar...
    Acredito que seja o momento para que todas as escolas municipais e estaduais tivessem uma investigação rigorosa, afim de descobrir o destino das verbas. ....As condições de trabalho chega a ser insalubre...

Deixe um comentário

Certifique-se de preencher os campos indicados com (*). Não é permitido código HTML.
Campo destinado a comentários relacionados à notícia. Duvidas sobre Vida Funcional devem ser encaminhadas aos respectivos setores.
Clique aqui para ver os contatos.