Terça, 16 Fevereiro 2021 11:47

Ensino híbrido: como reinventar toda prática didático-pedagógica

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Com a pandemia as aulas presenciais perderam o protagonismo para dividirem a rotina escolar com as aulas remotas. A adaptação do uso da personalização do ensino à tecnologia nas ações de ensino e aprendizagem é o grande desafio das equipes pedagógicas, especialmente para os educadores das escolas públicas.

A professora Solange Ferreira de Moura, doutora na área de Direito e diretora acadêmica adjunta de graduação na Unyleya, ressalta o heroísmo dos professores na produção de materiais didáticos com parcos recursos tecnológicos.

"Em 2020, a pandemia trouxe inúmeros desafios para a educação, especialmente, em países com baixa inclusão digital, como o nosso, começando pela falta de recursos para ofertar acesso à internet para um enorme contingente de estudantes e escolas públicas da educação básica. Coube aos docentes o maior esforço para a superação dos desafios de reinvenção de toda a prática didático-pedagógica, ao vivo, sem ensaios ou experimentação prévia de metodologias e contando com poucas ferramentas tecnológicas. A produção de materiais didáticos para entrega de conteúdos pelos professores, de suas casas, com poucos recursos tecnológicos, foi verdadeiramente heroica! Foi um ano muito desgastante para os professores. Os docentes formados no ensino superior a distância tiveram vantagem por conhecer a realidade dos estudantes na modalidade a distância, assim como as metodologias de ensino-aprendizagem e avaliação a ela inerentes. Dentre os muitos paradigmas quebrados ao longo de quase um ano de pandemia, chama atenção o fato de que “presencialidade” deixou de ser sinônimo de presença física e que a presença mediada por meios digitais mostrou-se capaz de efetivar proximidade nas interações pessoais e de ser altamente eficaz na realização de atividades profissionais. Certo é que, no Ensino Fundamental, principalmente, nos anos iniciais, manter a atenção das crianças é imensamente mais difícil, sendo a criatividade na produção de atividades lúdicas um componente decisivo."

Para a especialista, é importante diferenciar aulas remotas e ensino a distância:

“É importante começar enfatizando a distinção entre aulas remotas e ensino a distância, no qual toda a concepção didático-pedagógica, o planejamento e desenvolvimento dos materiais, tais como livros didáticos, conteúdos interativos, vídeos, temas de fóruns de discussão, exercícios de fixação e avaliação etc. são produzidos, previamente por equipes multidisciplinares compostas por profissionais de diversas áreas, que vão do professor conteudista a web designers, para a entrega por meio digital por professores capacitados para a modalidade a distância, proporcionando qualidade acadêmica. Via de regra, as aulas remotas são uma transposição da aula presencial por meio de gravação. É como uma peça de teatro gravada. Não é cinema. O ensino híbrido pressupõe a composição de um currículo por elementos do ensino presencial e por elementos do ensino a distância, de modo complementar. A mera transmissão de aulas remotas conjugadas com aulas presenciais não constitui ensino híbrido. Infelizmente, nas condições atuais da pandemia, com a gravidade que torna necessário o isolamento social e a redução drástica do número de alunos por turmas presenciais, parte das aulas presenciais serão ofertadas por meio digital (teatro filmado). Não significa que todos terão acesso ao ensino híbrido, pois poucas escolas tiveram condições de efetivamente produzir elementos de ensino a distância."

Aos professores, Solange sugere a busca constante da atualização:

"Os professores que buscarem capacitação digital terão, cada vez mais, espaço de crescimento profissional. Um bom caminho é buscar uma segunda licenciatura, na modalidade a distância. Além disso, a formação continuada pode ser conduzida na busca de cursos de extensão no uso de ferramentas digitais de ensino-aprendizagem, disponíveis gratuitamente na internet. Na Faculdade Unyleya disponibilizamos o Office 365 para todos os estudantes e, por meio dele, o acesso a incontáveis ferramentas de ensino-aprendizagem-avaliação. Na formação docente para o século XXI tais conhecimentos são fundamentais. Por fim, nunca na história da humanidade produziu-se tanto conhecimento em tão curto espaço temporal. Sendo assim, a atualização permanente é um mantra para todas as profissões."

Em sala de aula, a professora Jessica Andressa Fernandes de Souza, da Escola Estadual Frei Paulo Luig, explica a adaptação junto aos alunos do 1º ano do Ensino Fundamental, na capital paulistana:

“No ano passado tivemos que nos adaptar. Usamos o ensino remoto com as plataformas de mídia, o YouTube, o Google e o WhatsApp para a comunicação com os pais. Este ano, com o ensino híbrido, temos o presencial alinhado à plataforma, criada pelo Centro de Mídia do Governo do Estado, junto ao aplicativo usado pelos alunos, transmitido pelo YouTube e pela TV Aberta. Alinhamos, assim, a nossa aula presencial com a aula da Seduc para que todos os alunos tenham diariamente o mesmo aprendizado, dentro do sistema de rodízio de aulas. O ponto positivo é que nós, professores, aprendemos uma outra forma de ensino, e a contar com a tecnologia, que os alunos adoram. No início, tivemos muitas dificuldades mas, agora, estamos caminhando com apoio e mais organização.

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