Sexta, 16 Abril 2021 12:34

Professora se emociona ao ver único aluno entrar em aula on-line

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Professora se emociona ao ver único aluno entrar em aula on-line Reprodução

Filha da professora ficou assistindo a mãe angustiada por não receber o retorno de nenhum pai de aluno


A Filha de uma professora do Ensino Fundamental em Guarujá, no litoral paulista, fez um desabafo após ver a frustração da mãe ao preparar uma aula e ficar quase 1 horas aguardando os alunos entrarem na plataforma on-line. Até o final da aula, apenas uma criança se conectou ao acesso remoto para conversar com a profissional.

As aulas de Maria Najila Ferreira Santana, de 54 anos, são lecionadas de manhã e à tarde. Na última terça-feira (13), ela se preparou para receber a equipe do período vespertino. Ela estudou o conteúdo, subiu os vídeos de apoio na plataforma disponibilizada pela escola onde trabalha, recortou o material visual que seria utilizado para ensinar os estudantes e sentou em sua atual sala de aula: uma mesa da sala de jantar, de frente para um notebook.

Antes de ligar a câmera, ela disse à filha, a estudante de jornalismo Nayla Ferreira Santana, de 21 anos, que a aula daquele dia era muito legal e que havia preparado vários materiais. Contudo, quando se conectou à plataforma de ensino, ela viu que estava sozinha. "Essas coisas não têm como não mexer com o lado sentimental da gente [professores]. Nosso psicológico é afetado. Existe um outro lado. No final do dia, estamos extremamente cansados", conta a professora.

Enquanto esperava pela chegada de algum aluno, Najila era observada pela filha sem perceber. De acordo com a estudante, ela ficou assistindo a mãe angustiada por não receber o retorno de nenhum pai de aluno. "Ás vezes, ela fica 1 hora esperando e não entra ninguém. Acho que as pessoas estão perdendo essa oportunidade. Eu me sinto frustrada por ela fazer as coisas e não ter o retorno dos pais. É triste ver uma situação dessa", relata.

No entanto, a professora da rede pública não pode dizer que o dia desperdiçado. Após quase 1h de espera, uma mãe conectou o filho à plataforma de ensino. Ao notar a entrada do estudante, Najila aproveitou a presença do único aluno para ensinar o conteúdo que havia preparado para outros 30. "A felicidade foi muito grande quando ele entrou. Eu faço festa quando alguém aparece . É como se estivessem os 30 na sala. Quando ela entrou, eu tive a oportunidade de oferecer para ele aquilo que os outros não puderam receber naquele momento", explica.

O momento foi registrado por Nayla, que se emocionou ao ver a alegria da mãe. "Foi um momento tão bonito. Eu estava sentada assistindo ela recortar algumas coisas quando um aluno falou 'oi professora' e o olho dela brilhou. Foi lindo, uma mudança muito bonita. Ela sempre foi muito dedicada. Os alunos dela são os segundos filhos", esclarece.

Aquele foi o único contato da professora com a sala de aula naquele dia. Porém, ela explicou que entende a dificuldade de muitos alunos não conseguirem ter acesso às aulas. De acordo com a professora, o Brasil ainda não está preparado para o ensino à distância, pois muitas famílias não possuem acesso à internet ou precisam dividir um celular com todos em casa. "Uma mãe me relatou que trabalha o dia todo, que a patroa não dispensa ela para ir para casa, para não se contaminar. Mas, ela tem filhos pequenos, e quando chegava em casa, o celular era dividido entre todos", desabafa.

Entretanto, mesmo com as dificuldades, ela segue motivada a permanecer preparando as aulas e ajudando os alunos que conseguem assisti-las. "O amor de ensinar é o mesmo da sala de aula, o que muda agora são as estratégias, onde tenho que usar outros recursos", relata. Já Nayla, segue orgulhosa do esforço da mãe e torce para que os pais cooperem com o aprendizado dos filhos. "Eu acho que as pessoas deviam ter mais empatia com aqueles que ensinam suas crianças. O professor é essencial. Elas deveriam respeitar cada professor que está passando por essa batalha, porque não é fácil tentar ensinar e ver que os responsáveis não estão nem aí para ensino das crianças", conclui.

Fonte: G1

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