Segunda, 02 Setembro 2013 17:02

CPP na imprensa: "Falta vontade política de melhorar a escola pública"

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Apesar de abrir concursos, governo tem dificuldade para preencher postos; desde 2008, total de concursados caiu 7%

Apesar de ter realizado concursos para preencher 34 mil vagas e professores desde 2011, a gestão Geraldo Alckmin (PSDB) só conseguiu ampliar em 1,5 mil o número de docentes concursados na rede estadual até este ano. Especialistas avaliam que o governo do Estado criou uma "bola de neve" nesta questão e enfrenta dificuldades para manter os profissionais na rede.

O número de concursados caiu de 130,5 mil, em 008, para 120,8 mil, em 2013 - queda de 7%. O total de efetivos até cresceu 4,4 mil entre 2011  e 2012, mas voltou a cair neste ano.

Professor da Faculdade e Educação da Universidade de São Paulo (USP), Ocimar Alavarse diz que há falhas de planejamento. "Não fizeram os concursos ao longo do tempo para reposições", diz. "Além das exonerações, tem as aposentadorias previstas. Organizar esse processo não é sofisticação, é o mínimo. A média de aposentadoria é de 5 mil por ano, segundo a Secretaria da Educação.

Em novembro, o Estado realiza mais um concurso, para 59 ml vagas. Espera que 20 mil docentes assumam no próximo ano. Alavarse duvida do resultado, por causa da dificuldade de recrutar tantos profissionais. "Não se regulariza essa situação de uma vez. Levará de cinco a dez anos para resolver."

A diretora da ONG Todos Pela Educação, Priscila Cruz, enfatiza que é necessário ter ações específicas para quem chega à rede e para quem é de carreira. "Não existe medida que tenha grande impacto sozinha", diz ela. "Sem carreira atrativa, acabamos contratando quem tem dificuldade de ingressar em outra carreira. E a gente precisa dos melhores profissionais."

A dificuldade em aumentar o quadro docente tem provocado problemas nas escolas. Reportagem do jornal O Estado de São Paulo deste mês mostrou que havia no primeiro semestre 4,8 mil turmas sem professor de alguma disciplina -a maior parte de Matemática, Geografia e Sociologia.

O presidente do Centro do Professorado Paulista (CPP), José Maria Cancelliero, diz que há uma "crise". "Falta vontade política de melhorar a escola pública. Levadas por isso, muitas pessoas ingressam e, quando arrumam um emprego, vão embora", diz. "Tinha de ter um salário digno do Estado mais rico."

O piso salarial da rede estadual é de R4 2.255. É maior do que no nacional , de R$1.567. Mas na rede municipal da capital, por exemplo, o professor iniciante ganha R$ 2,6 mil.

Recomeço. Professora de Matemática, Valdirene Antenor, de 48 anos, tentou desistir do magistério em 2008, quando se exonerou do Estado. Abriu uma cantina, mas não deu certo. Voltou para a escola e decidiu ir para o Município. "No Estado são 20 anos de descaso", diz. "Nas escolas municipais também não é uma maravilha, mas o salário é maior. Não queria voltar, não estou contente. Mas que trabalho eu vou arrumar com essa idade?" Ela também leciona em escola particular.

A Prefeitura defende que está implementando ações de melhoria das condições de trabalho, como programa para ampliar a segurança. O Estado ressalta que garantiu aumento escalonado de 45% até 2014. Também citou a implementação de programas, como o Residência Educacional, um estágio remunerado.

Ex-Professor hoje é Policial Civil

'As coisas não iam melhorar', conta Elton Costa

Criado em uma família em que mãe, tia e o irmão mais velho são professores, Elton Costa não teve dúvida na hora de decidir qual carreira seguiria. "Eu tinha como ideal ensinar", conta ele, hoje com 36 anos, formado em Letras e Pedagogia. Foram 14 anos de magistério na rede estadual de São Paulo. Costa deu aulas, foi diretor, coordenador e voltou às salas. Mas, segundo ele, a experiência só reforçou uma certeza: "As coisas não iam melhorar".

Costa deu uma guinada na vida profissional quando passou no concurso para a Polícia Civil. Trocou o giz e a lousa pela arma e a viatura em 2012. Não demonstra nem uma ponta de arrependimento.

"Cheguei em uma situação de autoestima tão baixa, a ponto de achar que meus filhos pudessem ter vergonha do que eu era", conta. "Por causa da situação precária da carreira, salário baixo e falta de respeito que sentia na escola, decidi sair. E digo que foi até fácil decidir."

Costa mora em Tupã, cidade a 513 Km da capital paulista , e hoje é investigador. Segundo ele, ganha R$ 1 mil a mais do que recebia quando saiu da rede estadual - apesar de, na época, trabalhar em três escolas em cidades diferentes. "Com esse salário e nessas condições é impossível se sentir realizado."

Segurança. Costa conta que sempre perguntam para ele se não teve medo de se tornar policial. E ele responde sempre que na outra profissão era pior. "Medo eu tinha antes, quando era professor. Passei 14 anos trabalhando contra 35 alunos, sozinho . Na rua estou armado e com meu parceiro", diz. "O professor é um herói e está sendo estraçalhado. Tem de ser psicólogo, assistente social, mediador de conflito e, por último, ensinar."

Mesmo relatando as dificuldades de enfrentar violência nas escolas e assumir mais do que a função de dar aula, ele lembra que o professor acaba nem sendo o principal prejudicado desse arranjo." O aluno é a maior vítima dessa situação."

As informações são do jornal O Estado de São Paulo.

SECOM/CPP

 

 

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