Quarta, 24 Julho 2013 16:21

Professora primária do Papa vira referência em sua vida

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Há sete décadas atrás, a professora Estela Quiroga de Arenaz alfabetizava 28 alunos na pequena escola pública Pedro Cerviño, em Buenos Aires. Havia um garotinho magrinho, de 6 anos, que se aplicava em tudo que fazia. Fanático por futebol, logo chamou a atenção da professora que percebeu que se tratava de alguém muito especial – que prometia ter um futuro diferente, de grande importância. Foi assim que a jovem Estela conheceu o pequeno Bergoglio. Além de professora, foi grande amiga e confidente durante toda a vida de Jorge Mario Bergoglio, hoje conhecido por Francisco, papa que encanta o mundo por sua simplicidade e riqueza de valores.

O site da revista Veja destaca a matéria com a maravilhosa amizade entre professora e aluno que ultrapassou a distância. Infelizmente, o tempo não permitiu que Estela visse Jorge Mario Bergoglio

tomar posse do mais alto posto da igreja católica. Seja como for, ficaria extremamente orgulhosa de seu aluno.

Confira abaixo, trechos da reportagem da Veja acerca do Pontífice e da valorização de sua professora Estela.

“Até a morte de Estela, em 2006, o agora papa Francisco mantinha um contato estreito com ela. Eles trocavam correspondências, se falavam ao telefone e, quando era possível, se visitavam. "Ele sempre teve três referências na vida: nossa avó, nossa mãe e a professora Estela", disse a VEJA Maria Elena Bergoglio, irmã do papa.

A professora morreu aos 96 anos sem ver seu aluno sentar no Trono de Pedro. Mas, até o fim da vida, acompanhou muito de perto a trajetória de Bergoglio. Quando se tornou padre, no final da década de 60, foi Estela quem ele convidou para ser sua madrinha. E assim acontecia a cada degrau que galgava na Igreja. De volta a Buenos Aires após ser nomeado cardeal pelo papa João Paulo II, Bergoglio rezou uma missa festiva e lá estava Estela, já idosa, em lugar de honra, sentada no altar montado diante da fachada da Catedral Metropolitana. Ele mandou que o motorista da Arquidiocese fosse buscá-la em casa – e depois teve o cuidado de enviar para ela as fotografias da cerimônia.

"Ele sempre telefonava aqui para casa e os dois falavam bastante", conta Maria del Carmen, filha da professora. Bergoglio tratava Estela, 26 anos mais velha, com respeito e reverência. A professora fazia as vezes de conselheira. E o agora papa Francisco, invariavelmente, pedia que ela rezasse por ele – como ficou registrado num cartão que o pontífice enviou em 26 de fevereiro de 2005, às vésperas do aniversário da professora:

Cartão com mensagem manuscrita de Bergoglio à professora

“Querida senhora Estela,

Hoje viajo a Roma e no dia 6 não estarei aqui para saudá-la por seus 95 anos. Desejo-lhe feliz aniversário. Nesse dia, oferecerei a missa por você. Que Jesus te bendiga e que a Virgem Santa te proteja. Por favor, peço que continue rezando por mim.

Com todo carinho,

Jorge Mario Bergoglio”

Futuro papa - Aquela viagem a Roma, onde João Paulo II vivia seus últimos dias, seria determinante para o destino de Bergoglio. Um mês e meio após selar o bilhete, ele participaria da eleição do sucessor de João Paulo, Joseph Ratzinger. Naquele conclave, Bergoglio esteve perto de ser eleito papa – ele chegou a ter 40 votos, com chances de ganhar outros, até que, segundo o relato de vaticanistas, pediu aos seus pares que optassem por Ratzinger. O gesto seria determinante para sua eleição no conclave seguinte.

Assim como os telefonemas, as correspondências a Estela também eram frequentes. Bergoglio nunca deixava passar em branco uma data festiva. “Lhe faço chegar uma afetuosa saudação com meus melhores desejos de um feliz e santo Natal", escreveu num cartão enviado em 2003 e agora guardado como relíquia pelas filhas da professora. Ao final do texto, manuscrito, o pedido recorrente: "Reze por mim". 

A amizade estreita fazia com que Estela, já idosa e vivendo sozinha com a filha, se sentisse à vontade para recorrer a Bergoglio sempre que necessitava de um favor. Quando sua filha sofreu um assalto na rua, a professora ligou para o arcebispo, que prontamente enviou um funcionário da catedral para ajudá-la a registrar queixa e a tirar novos documentos. "Ele era como um filho para ela. Toda vez que se referia a Bergoglio, ela levava as mãos ao peito, e falava com muito carinho", diz Monica Quiroga, sobrinha de Estela. "Quando ele se tornou cardeal, ela ficou orgulhosíssima."

Mônica conta que um dia a campainha do sobrado onde Estela morava tocou. Era um emissário de Bergoglio querendo saber notícias sobre o estado de saúde da professora. Provavelmente, ele mandou que alguém fosse até a casa dela porque ninguém atendia o telefone. A professora tinha morrido dias antes. Bergoglio estava em Roma. O funeral de Estela reuniu sete pessoas. Por santas razões, faltou o filho que ela nunca teve.”

SECOM/CPP

1 Comentário

  • Link do comentário Maria Eunice Leme Munhoz Quinta, 25 Julho 2013 10:32 postado por Maria Eunice Leme Munhoz

    Pessoas inteligentes sabem valorizar o que é realmente importante.Que Deus abençoe o Papa Francisco,que com esse gesto de amizade e respeito pela professora demonstra que merece muito nossa admiração.

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