Quinta, 21 Março 2019 11:42

Momo: a nova onda de medo que se instalou em crianças e educadores

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Dra. Maria Filomena Brandão, Gerente Pedagógica da Pearson

 

Vivemos em um tempo onde as boas e más notícias se espalham como uma rajada de vento. Nos últimos dias, vieram à tona indícios de que os vídeos que as crianças assistem teriam sido interrompidos pela personagem “Momo”. As imagens teriam caráter aterrorizador, já que apareceriam após uma ação invasiva,  “ensinando” como crianças poderiam cortar os próprios pulsos.

Mas, quem é essa boneca “Momo”? Trata-se do apelido dado à escultura de uma jovem mulher com longos cabelos negros, grandes olhos, um largo sorriso e pernas de pássaro, conhecida como “Mother Bird”. A personagem foi criada por uma empresa japonesa de efeitos especiais, a Link Factory, e foi exposta no museu Vanilla Gallery localizado no distrito de Ginza, na cidade de Tóquio, no Japão. Em 2016, a “Momo” ganhou destaque com sua forma humanoide de "mulher-pássaro”. Isso é fato.

Em 2018, a escultura foi associada a uma lenda urbana perturbadora que começou a transitar primeiramente pelo WhatsApp. Agora, em 2019, o assunto voltou a emergir, mesmo que ainda não haja provas materiais de que alguém tenha se suicidado após interagir com a “Momo”.

Em tempo de disseminação de informações via redes sociais e aplicativos de troca de mensagens, a viralização de um mero indício pode causar o pânico entre adultos e também crianças.

O momento pode ser usado para ensinar aos menores de idade o que é fato e o que é “fake”, distinguindo a realidade da ficção, seja para a “Momo” como para outros virais que em algum momento irão chegar até elas. É importante lembrar ainda que até adultos compartilham notícias falsas. Partindo desse pressuposto é importante que as crianças sejam orientadas contra a disseminação de fantasias que se tornam realidade. Por tanto, algumas orientações são importantes:

- Mostrar que a personagem do vídeo não existe na vida real e é apenas uma obra de ficção. Outra orientação é expor para os filhos que a internet tem coisas boas, de caráter informativo, mas também ruins e maliciosas. Precisamos ensiná-las a comunicar os responsáveis caso sejam expostas a esse tipo de conteúdo.

- O momento também é de ensinar. Mostra que a “Momo” foi exposta de forma física em uma galeria japonesa, no distrito de Ginza, em Tóquio, a capital do país. Posteriormente, explicar que agentes nocivos da sociedade usaram a escultura de caráter grotesco, sem autorização dos criadores, para instaurar o medo. A verdade bem explicada é sempre o melhor caminho para o diálogo e a compreensão.

- Reiterar para as crianças que elas nunca devem conversar com desconhecidos. Essa orientação vale para jogos online, redes sociais ou presencialmente. O momento também é adequado para repetir que os filhos jamais devem dar o número de telefone ou fazer check-in em redes sociais abertas.

- Explicar para os filhos que eles não devem fazer nada que gere desconforto, medo, constrangimento, dor e qualquer outro tipo de dor que eles não possam “contar para os pais”. Caso isso aconteça, as crianças devem sempre comunicar os responsáveis.

- Os pais devem usar aplicativos de monitoramento de acesso online ou o YouTube em versões como a Go que permitem baixar offline apenas vídeos com acesso pré-aprovado para as crianças menores.

- Outro cuidado é restringir nas configurações dos dispositivos o acesso das crianças a determinados canais. Essa medida impede delas receberem notificações de vídeos que não sejam apropriados. Sabemos que muitos pais ainda não tomam esse cuidado.


- O momento também reforça a necessidade de limitar o tempo de exposição à televisão e outros dispositivos como celulares, notebooks, iPhone, iPad e similares. A exposição exagerada às telas  deixa as crianças agitadas e ansiosas, com dificuldade de atenção e de concentração, sintomas prejudiciais não só para a vida escolar, mas também à vida social. A AAP (Academia Americana de Pediatria) sugere no máximo uma hora diária de exposição “às telas”, na faixa etária dos 18 meses aos 5 anos. Esses 60 minutos devem ser fracionados nas 24 horas do dia.


- Converse e não proíba o uso da internet, Youtube, jogos e redes sociais. A conscientização é o melhor caminho, assim como a definição das limitações de uso de acordo com a faixa etária.

- É necessário que os pais avaliem permanentemente a capacidade de discernimento das crianças para compreender os limites de compreensão e os conteúdos que elas já conseguem acessar.

- O mais importante nesse momento é não ampliar a comoção ante a situação, mas sim dialogar e mostrar como eles devem agir diante de situações de risco, medo ou pressão.


Dra. Maria Filomena Brandão, Gerente Pedagógica da Pearson, multinacional britânica e uma das maiores empresas de educação do mundo.

Última modificação em Quinta, 21 Março 2019 11:55

1 Comentário

  • Link do comentário Agnes Ferrari Quinta, 21 Março 2019 20:43 postado por Agnes Ferrari

    Obrigada pela orientação...crianças estão precisando de terapias por conta disso...nos Estados Unidos também ...

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