Sexta, 31 Agosto 2018 10:40

Sonho com educação integral para todos do Ensino Fundamental I, diz Skaf

Leandro Silva
Avalie este item
(5 votos)
Sonho com educação integral para todos do Ensino Fundamental I, diz Skaf Foto: divulgação/assessoria Skaf

Candidato ao governo pelo MDB, presidente licenciado do Sesi e do Senai promete padrão de qualidade das instituições na rede pública de ensino

Especial Eleições 2018 — Como a Educação chegará às urnas?

"Nosso principal objetivo, sem dúvida, é replicar a experiência consolidada e bem-sucedida das escolas Sesi e Senai na rede pública de São Paulo. Faremos o mesmo nas escolas técnicas estaduais [Etecs].” Essa foi a principal afirmação de Paulo Skaf em relação a propostas de governo para a educação do estado mais rico do Brasil.

Candidato ao governo de São Paulo pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB – antigo PMDB), tendo como vice a Tenente Coronel da Polícia Militar Carla Basson, Skaf usa como bandeira de campanha sua gestão desde 2004 à frente do Serviço Social da Indústria (Sesi-SP) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-SP), entidades educativas do Sistema S reconhecidas pela qualidade de ensino.

A primeira área do programa de governo, disponível no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é a Educação. O texto consome duas páginas completas do documento, sendo a maior abrangência. Valorização do magistério é o primeiro item das propostas, apesar da falta de detalhamento para tal medida. Ensino em tempo integral, que o candidato enfatiza como “sucesso” do Sesi, também aparece no início das ações de governo.

O sonho de Skaf, contudo, é desafiador. De acordo com a Secretaria Estadual de Educação, a rede de ensino tem atualmente 1.540 escolas de Ensino Fundamental I; dessas, apenas 138 com Ensino Integral. Eventual gestão emedebista precisaria reestruturar, portanto, 1.402 escolas. Tudo contando exclusivamente com caixa de governo.

O Sistema S 
é mantido por contribuições de indústrias, as chamadas contribuições parafiscais. Em 2016, de acordo com a Receita Federal, nove entidades do sistema receberam R$ 16 bilhões. Além disso, algumas das instituições cobram mensalidades, como o Sesi-SP. Recursos destinados à atividade-fim, ou seja, ensino.

Já o orçamento da Rede Estadual de Educação, apesar de valor médio anual superior — R$ 30,8 bilhões em 2018, conforme dados da Secretaria de Planejamento e Gestão, compreende pagamento de aposentadorias e outras despesas não relativas a ensino.

Ainda assim, o candidato garante que, se eleito, realizará o sonho. 
Em entrevista exclusiva ao Portal CPP, Paulo Skaf diz que tem planos de capacitação para professores, reconhece defasagem salarial dos profissionais ativos e aposentados, mostra-se favorável à Prova Mérito como instrumento de avaliação e ascensão na carreira do magistério, considera necessária reforma previdenciária no estado, entre outros pontos.

Sobre questões gerais, em alta nos debates de Educação, concorda que gênero e sexualidade sejam discutidos nas escolas – embora o item do programa de governo “Identidade de Gêneros e Orientação Sexual” não contemple políticas voltadas à sala de aula, reprova o projeto de lei conhecido como Escola Sem Partido e sugere moderação para Educação a Distância.

Confira a íntegra da entrevista concedida por e-mail, cuja conversa foi encerrada com Skaf dizendo que o povo está cansado do jogo de empurra-empurra. “Os problemas da população do estado de São Paulo também serão problemas meus.”

Portal CPP: Quais são os eixos principais do programa de governo do senhor para a Educação? E, se ganhar a eleição, qual será a primeira medida voltada à área?

Paulo Skaf: A educação é uma das minhas prioridades. E isso não é retórica. É fato. Nosso programa de governo está muito focado na minha experiência no Sesi e Senai. Nos últimos dez anos, construímos 120 escolas do Sesi e dezenas do Senai. E elas seguem padrões de primeiro mundo, com instalações de qualidade, aulas em tempo integral, alimentação balanceada, práticas esportivas, laboratórios de ciência e informática.

Como o senhor enxerga o professor na sociedade? Que política pública estabelecerá para valorizá-lo? 

O professor realiza uma atividade primordial, que é a formação do cidadão do futuro. Por isso, deve ser valorizado, reconhecido e respeitado. A profissão de professor é um sacerdócio e a sociedade e os governos devem dar o tratamento que eles merecem. Temos planos de capacitação permanente e de remuneração adequada para os professores.
 

Professores do estado de São Paulo, inclusive aposentados, ficaram quatro anos (2015-2018) sem reajuste salarial – o então governador Geraldo Alckmin (PSDB) alegou crise econômica. O plano de remuneração adequada compreende o problema? Vai melhorar o salário da categoria?

Sim, nós reconhecemos que os salários de professores da rede pública do estado de São Paulo estão defasados. Por isso, está prevista a criação de uma política de melhoria contínua dos salários. Claro que isso está sendo planejado dentro do contexto da responsabilidade fiscal e nos limites da administração do orçamento.

O senhor pode adiantar detalhes do plano?

Os professores e policiais terão prioridade em relação à valorização salarial em nosso governo. Este é o meu compromisso. Mas, antes, será necessária uma reestruturação nas contas do governo, revendo desperdícios de recursos e trazendo maior eficiência administrativa e melhor gestão. Aí teremos a visão dos detalhes da política de valorização que será possível adotar. Precisamos valorizar as categorias, mas temos que garantir ao mesmo tempo o equilíbrio das contas do governo.

Em consonância ao Plano Nacional de Educação, especialistas sugerem mais investimentos, em outras palavras aumento de despesas, como condição para melhorias na área educacional. O senhor concorda que sejam necessários mais recursos? Como pretende equilibrar gestão fiscal e investimento em Educação?

Se for eleito, o equilíbrio fiscal estará garantido. Isso sem sombra de dúvidas. Quanto aos recursos, eles existem. Mas há muita ineficiência na administração e isso compromete os resultados para as atividades finais. Na educação, acredito que poderemos avançar com os recursos que já dispomos. Depois de implantarmos nosso modelo de gestão e qualidade, e atingirmos o máximo de eficiência, podemos retomar a discussão e reavaliar se ainda será necessário um eventual aumento de recursos. E sempre teremos no radar que não pode haver conflito entre gestão fiscal e investimento. A garantia do equilíbrio fiscal é obrigação de todo governante.

Professores têm direito à aposentadoria especial, em que mulheres se aposentam com 25 anos de contribuição, e homens, com 30. Em tempos em que se discute reforma previdenciária nas diferentes esferas de governo, qual a posição do senhor em relação ao benefício para professores?

O fato é que o Brasil passa por mudanças na estrutura etária e não há dúvidas de que precisaremos reformar a Previdência. Atualmente, temos sete trabalhadores para cada aposentado. Em 2050, haverá apenas um trabalhador para cada aposentado. Essa é uma conta que não fecha. Quanto ao tempo de contribuição, vai depender da reforma que for proposta. A última versão que começou a tramitar no Congresso acabava com a aposentadoria por tempo de serviço, de forma que a discussão de 25 ou 30 anos para professores não se aplica.

O presidente Michel Temer (MDB) retirou professores da proposta em tramitação no Congresso — depois de mobilização da categoria. Com isso, mudanças cabem aos estados e municípios. O senhor pretende alterar a Previdência de servidores estaduais de São Paulo? Concorda com aposentadoria especial para professores?

Não temos planos de reforma para a Previdência do estado de São Paulo.

Em 2010, o governo de São Paulo estabeleceu o Programa de Promoção por Mérito, que consiste na realização de prova para que o professor evolua na carreira, incluindo progressão salarial. Qual a opinião do senhor a respeito de política pautada em meritocracia? Manteria?

Sim, eu a manteria. Acho que temos de modernizá-la. Isso para que mensure cada vez melhor o desempenho dos profissionais e para que auxilie a Secretaria da Educação a direcionar seus esforços. O sistema é uma ferramenta que permite que o professor tenha uma perspectiva de evolução na carreira e se sinta mais motivado para continuar se capacitando e se aperfeiçoando.  

Governos estaduais podem realizar convênio com prefeituras a fim de transferir responsabilidade de determinados níveis escolares para municípios, a chamada municipalização do ensino. O senhor acha tal modelo viável? Adotaria mais ou menos em eventual governo?

Meu projeto é implementar o padrão Sesi na rede pública. Por isso, neste momento, não vejo motivo para aumentar a municipalização. Eventualmente, se houver o interesse de alguma prefeitura, isso pode ser reavaliado. No caso de ser uma demanda da população, fundamentada e consistente, estarei aberto a discutir o assunto com as prefeituras.

O que o senhor pretende fazer para melhorar a escola pública, que hoje apresenta problemas como superlotação de alunos, infraestrutura precária etc.?

Será preciso rever a infraestrutura como um todo, o que inclui as salas de aulas, os laboratórios, os refeitórios, implementar uma alimentação equilibrada, além da adoção de formas para avaliar tanto os alunos como o ensino. Tudo isso para criar um ambiente mais favorável ao processo de ensino e aprendizado.

Violência é comum no ambiente escolar, especialmente contra educadores. Reportagem recente da Folha de S. Paulo mostra que o índice de agressão a professores cresceu 189% neste ano. O senhor pensa em fazer algo para tratar do problema?

O professor é uma profissão sagrada. O profissional merece todo o respeito da sociedade e, principalmente, dos alunos. A proposta de melhorar o ambiente escolar, com professores mais capacitados e alunos mais estimulados, pode favorecer as relações entre professor e aluno e torná-las mais respeitosas. Também temos propostas que expandem ações para desenvolver nos alunos habilidades não cognitivas, chamadas de socioemocionais, como respeito, interação social, empatia e capacidade crítica. Isso também vai ajudar. Mas, claro, não nos furtaremos em aplicar a lei contra quem se utilizar de violência.

Que avaliação o senhor faz da ampliação de jornada escolar para tempo integral?

Esse é um tema crucial do meu projeto para o setor. Felizmente, eu consegui dar aos meus cinco filhos a oportunidade de estudar em escolas de tempo integral. Quando assumi a presidência da FIESP e do Sesi tive o sonho de poder proporcionar ensino integral a todos os alunos desse sistema. Eu realizei esse sonho. Mas, agora, tenho um novo sonho: levar a educação integral a todos os alunos do 1º ao 5º ano da rede estadual. Se Deus quiser, se os eleitores me escolherem como governador, eu tenho certeza que também vou realizar essa tarefa.

O que o senhor acha de educação a distância? Pretende ampliar ou reduzir? Em que níveis de ensino?

As novas tecnologias digitais estão revolucionando a educação e nos ajudando bastante em diversas tarefas. Isso vale tanto para compras pela internet, operações financeiras e a implementação da indústria 4.0, com robôs controlados pela internet, capazes de realizar vários serviços.
No ensino, por exemplo, as novas tecnologias também terão suas aplicações com plataformas que oferecem tutoriais para aulas de reforços, games que ensinam matemática, cursos de inglês e tantas outras coisas que ainda nem sequer foram inventadas. Devemos ampliar e explorar os usos das ferramentas tecnológicas, mas sempre monitorando e avaliando os resultados de cada experiência, para não darmos passos errados.
O ensino a distância (EAD) está se estruturando e pode proporcionar uma revolução digital, mas acredito que pode ser melhor aplicado em situações particulares. Isso inclui cursos para alunos mais maduros ou de curta duração. Ou, ainda, algo que não exista em uma determinada região. Temos experiência com o EAD. O Sesi foi pioneiro na produção do telecurso. Mas temos de manter sempre no radar que a experiência do ensino presencial é insubstituível.

Questões de gênero e sexualidade devem ser abordadas nas escolas?

Sim. Temas como gênero e sexualidade devem ser abordados nas escolas, mas sempre de forma natural, sem forçar a situação. Quem trabalha com crianças e adolescentes, quem criou filhos, sabe que essas questões sempre vêm à tona. O professor deve tratá-las de forma natural, sem fórmulas pré-concebidas.

O que o movimento Escola sem Partido significa para o senhor?

Acredito que descolar a educação da política não contribui para a formação dos alunos. A politização faz parte do aprendizado e tratar temas atuais em sala de aula é uma maneira eficiente de contribuir para a formação de opinião. A melhor forma de fazer isso é manter o equilíbrio e tratar a política sem medo e sem impor visões de mundo pré-estabelecidas. Também é necessário abordar o assunto com pluralidade e respeito à liberdade de pensamento.
 

BIOGRAFIA

Nascido em São Paulo em 1955 (63 anos), Paulo Skaf é filho do imigrante libanês Antoine Skaf e de Clotilde Skaf. Foi escoteiro e presidente do grêmio estudantil do Colégio Santo Américo. Aos 18 anos, prestou serviço militar e, depois, cursou administração na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Começou a trabalhar na tecelagem do pai, quando se aproximou de movimentos sindicais.

Em 1999, tornou-se presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecções (ABIT) e do Sindicato da Indústria Têxtil de SP, por duas gestões consecutivas. Pouco tempo depois assumiu a vice-presidência da Federação das Indústrias do Estado de SP (Fiesp). Assumiu a presidência em 2004, assim como de entidades do Sistema S.

Liderou a campanha “Não Vou Pagar o Pato”, da Fiesp, em 2015, contra aumento de impostos. Apoiou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

No pleito deste ano, declara patrimônio de R$ 23,8 milhões.

2 comentários

  • Link do comentário Antonio Vedoveli Terça, 04 Setembro 2018 20:01 postado por Antonio Vedoveli

    CANDIDATO EMPRESÁRIO CÍNICO, QUE TRATA O SESI E O "SISTEMA S" COMO FOSSEM SEUS. ALÉM DO SESI RECEBER VERBAS PÚBLICAS, O SKAF COBRA MENSALIDADES DOS ALUNOS

  • Link do comentário Sr Zé Sábado, 01 Setembro 2018 07:14 postado por Sr Zé

    Mais do mesmo

Deixe um comentário

Certifique-se de preencher os campos indicados com (*). Não é permitido código HTML.
Campo destinado a comentários relacionados à notícia. Duvidas sobre Vida Funcional devem ser encaminhadas aos respectivos setores.
Clique aqui para ver os contatos.