Segunda, 24 Setembro 2018 10:51

Governador pode dar visibilidade aos melhores professores, diz Chequer

Leandro Silva
Avalie este item
(2 votos)
Governador pode dar visibilidade aos melhores professores, diz Chequer Foto: Divulgação/Facebook

Candidato ao governo pelo Partido Novo, empresário afirma que reconhecimento do magistério começa pelo Executivo

Especial Eleições 2018 — Como a Educação chegará às urnas? 

“Professor deve ser uma das carreiras mais nobres em qualquer sociedade. São os professores, afinal, que educarão nossos filhos.” A consideração é do empresário e ativista político Rogerio Chequer, que vê na figura do governador meio de valorizar o magistério, dando visibilidade aos profissionais.

Candidato ao governo de São Paulo pelo Partido Novo, tendo como vice a ex-executiva de bancos internacionais Andrea Menezes, Chequer defende participação da iniciativa privada na Educação ao mesmo tempo em que coloca a área como dever do Estado. Para ele, o direito à educação tem de ser garantido aos cidadãos, e empresas podem ajudar com atividades complementares.

O programa de governo, disponível no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), reserva uma página e meia para a Educação. O primeiro item de tratamento é foco no aluno, estendo a frequência de avaliações, reforço escolar e internet como ferramenta de ensino; o segundo, foco no professor, em que sugere melhores salários e bonificação, melhor material didático, treinamento constante e avaliações diagnósticas.

Em entrevista exclusiva ao Portal CPP, Rogerio Chequer diz que pretende rever o plano de carreira dos professores e que quer melhorar a gestão da Secretaria Estadual de Educação, acabando com influências políticas. O plano de governo fala em “profissionalização” da SEE.

Se eleito, Chequer buscará ainda o que considera avanços em termos de avaliação de professores. “Precisamos medir não apenas conhecimento teórico, mas também capacidade de transmitir, de preparar uma aula adequadamente, de conseguir motivar e incentivar seus alunos.”

Leia a entrevista concedida por e-mail.
 

Portal CPP: Quais são os eixos principais do programa de governo do senhor para a educação? E, se ganhar a eleição, qual será a primeira medida voltada à área? 

Rogerio Chequer: Melhores práticas de gestão, valorização dos professores e foco no aluno, desde a primeira infância ate o ensino superior. Quando falo de gestão, falo de melhorar a gestão da secretaria, sem influências políticas. Falo de replicar as boas práticas já existentes em outras escolas do estado com bons indicadores, de criar núcleo de inteligência na secretaria, que buscará experiências de sucesso no Brasil e no mundo. Falo de melhor treinar e capacitar nossos diretores e de buscar parcerias para a melhora da infraestrutura de escolas.

Os professores são dedicados, trabalham arduamente, mas não são adequadamente preparados para o desafio que lhes é dado. Precisamos de novo plano de carreira com melhor remuneração, de programas de treinamento e capacitação. Dar-lhes melhor material de sala de aula e didático, assim como avaliações diagnósticas que lhes permitam atuar com efetividade.

Professor não pode ser abandonado quando chega ao final de seu ciclo na profissão. Ele pode se tornar mentor para os demais profissionais.
 

O senhor é candidato pelo Partido Novo, que se coloca como opção à chamada "velha política"; apresenta-se como gestor, candidato diferente. Apesar disso, defende privatização como solução para problemas da coisa pública, o que é sugestão conhecida entre partidos tradicionais. Vai privatizar a Educação? E o que o diferencia dos demais para a área? 

Educação é dever do Estado e direito do cidadão. O Estado continuará a prover educação aos cidadãos. O que defendo é maior participação da iniciativa privada e das organizações sociais em áreas em que possam atuar em parceria com o Estado, como, por exemplo, em atividades complementares no contraturno.

Na educação, especificamente, o Estado tem que ser atuante para suprir os anos de sucateamento promovidos pelo governo que está no poder há 24 anos. A nova política, sem conchavos e alianças da velha política, permite-nos gestão voltada ao cidadão, sem precisar atender indicações políticas, ou seja, ficando livre para atuar pelo interesse público.

Existe grande consenso entre especialistas sobre as melhores práticas para o desenvolvimento da educação, o que a velha política não consegue implementar por estar amarrada com alianças que visam apenas à perpetuação no poder. Não teremos rabo preso com ninguém. Poderemos atuar de forma eficiente para que a educação não seja apenas a melhor do Brasil, mas que esteja no nível de países desenvolvidos.
 

Como o senhor enxerga o professor na sociedade? Que política pública estabelecerá para valorizá-lo? 

Professor deve ser uma das carreiras mais nobres em qualquer sociedade. São os professores, afinal, que educarão nossos filhos. É fundamental que sua importância seja reconhecida pela sociedade. Nesse sentido, o governador pode fazer muito, dando visibilidade e relevância aos melhores profissionais e permitindo, em conjunto com as demais medidas colocadas, a transformação da carreira do professor em uma das mais atraentes para os jovens. Só assim conseguiremos atrair os melhores talentos para os cursos de pedagogia e licenciatura. É o começo da transformação do país. Igualdade de condições para todos.
 

Professores do estado de São Paulo, inclusive aposentados, ficaram quatro anos (2015-2018) sem reajuste salarial – o então governador Geraldo Alckmin alegou crise econômica. Que propostas o senhor tem para amenizar o problema e consequentemente melhorar o salário da categoria? 

Somos favoráveis a uma revisão no plano de carreira dos professores, melhorando seus rendimentos, tornando-a mais atraente, com possibilidade de progressão mais rápida, pautada em experiência e em uma matriz de competências. Ao final da carreira o professor se torna um mentor para os menos experientes, transmitindo sua experiência e boas práticas para o restante da rede.
 

Especialistas, em consonância ao Plano Nacional de Educação, sugerem mais investimentos, em outras palavras aumento de despesas, como condição para melhorias na área educacional. O senhor concorda que sejam necessários mais recursos para a área? Como pretende equilibrar gestão fiscal e investimento em educação? 

O Brasil investe menos em educação por aluno do Ensino Fundamental e Médio do que demais países comparáveis. Portanto, sim, é importante direcionarmos mais recursos para a área de forma a remunerar e preparar melhor nossos professores. Além disso, implementar ensino em período integral traz benefícios comprovados, inclusive melhorando a infraestrutura e outras coisas.

O equilíbrio fiscal, fundamental em qualquer governo que pretende realizar políticas públicas sustentáveis e de longo prazo, será obtido por meio de uma gestão mais eficiente. Simplificação tributária, ausência de influência política na gestão pública e realização de parcerias com a iniciativa privada, com a sociedade civil organizada, a União, os municípios, as organizações sociais, os cidadãos e os organismos multilaterais que podem contribuir com recursos técnicos, financeiros e humanos para desenvolvimento de políticas públicas.
 

Professores têm direito à aposentadoria especial, em que mulheres se aposentam com 25 anos de contribuição e homens, com 30. Em tempos em que se discute reforma previdenciária nas diferentes esferas de governo, qual a posição do senhor em relação ao benefício para professores?  

Somos favoráveis a uma significativa melhora no rendimento dos professores com consequências importantes também em suas aposentadorias. O equilíbrio orçamentário também é de suma importância em nosso governo.

Quanto à questão específica do sistema previdenciário estadual e suas particularidades, teremos de nos aprofundar nas projeções, impactos nos investimentos do estado para termos um diagnóstico e propormos eventuais soluções.
 

O governo de São Paulo estabeleceu, em 2010, o Programa de Promoção por Mérito, que consiste na realização de prova para que o professor evolua na carreira, incluindo progressão salarial. Qual a opinião do senhor a respeito de política pautada em meritocracia? Manteria? 

Dentro do plano de valorização dos professores queremos dar-lhes a oportunidade de uma nova carreira, mais atraente, com melhor remuneração, com uma evolução mais rápida com base na sua experiência, tempo de carreira, e em uma matriz de competências que deve medir não apenas seu conhecimento teórico, mas também sua capacidade de transmitir conhecimento, de preparar uma aula adequadamente, de conseguir motivar e incentivar seus alunos, entre outras. Dentro desse contexto, a meritocracia pode ser uma de várias outras variáveis que irão determinar a progressão na carreira.
 

O governo do estado pode realizar convênio com prefeituras a fim de transferir responsabilidade de determinados níveis escolares para municípios, a chamada municipalização do ensino. O senhor acha tal modelo viável? Adotaria mais ou menos em eventual governo? 

Defendemos uma forte integração entre o estado e os municípios, estabelecendo parcerias sólidas em beneficio do cidadão. Nesse sentido, o estado pode ajudar os municípios na construção de creches e na capacitação de profissionais que atuam na primeira e primeiríssima infância.

Além disso, o estado tem diversas escolas de Ensino Fundamental que poderiam ser repassadas aos municípios em determinadas condições de parceria. Por outro lado, o estado poderia assumir diversas escolas do Ensino Médio, hoje geridas por municípios. Em todos os casos, estado e município podem e devem atuar em parceria na disseminação de melhores práticas, no treinamento de seus professores e diretores e no desenvolvimento das melhores ferramentas de gestão.
 

O que o senhor pretende fazer para melhorar a escola pública, que hoje apresenta problemas como superlotação de alunos, infraestrutura precária, baixo desempenho de estudantes etc.? 

Em parceria com a sociedade podemos melhorar muito nossa infraestrutura. Se de um lado pretendemos universalizar o ensino em período integral, o que demanda maiores e melhores espaços físicos, de outro temos uma redução ano a ano da quantidade de alunos que entram no sistema escolar por conta de nossa curva demográfica. São efeitos que atuam em sentido contrário e que iremos analisar no detalhe para determinar as prioridades de investimento em infraestrutura.
 

Violência é comum no ambiente escolar, especialmente contra educadores. Reportagem recente da Folha de S. Paulo mostra que o índice de agressão a professores cresceu 189% neste ano. O senhor pensa em fazer algo para tratar do problema? 

Parte desse problema vem da pouca valorização do professor pela nossa sociedade e da necessidade que temos de melhor prepará-los para o desafio da sala de aula. Precisamos aproximar as famílias das escolas, para que pais e filhos se sintam parte integrante da escola e parceiros de seus professores e funcionários, dividindo suas dúvidas e preocupações, colaborando uns com os outros para a busca das melhores soluções.

O foco é que tenhamos uma escola mais atraente e interessante para os alunos. Como parte integrante dessa aproximação das famílias com as escolas, os assistentes sociais têm papel importante para atuar em casos específicos, podendo, a partir do contato com as famílias, identificar casos em que se faz necessária intervenção para entender os problemas dos adolescentes e de sua família e atuar em conjunto na busca de soluções.
                                                                                                                

Que avaliação o senhor faz da ampliação de jornada escolar para tempo integral? 

Acho de suma importância. Teremos preocupação grande com o aluno, ampliando significativamente o ensino em período integral. Enquanto a universalização do ensino integral não chega, daremos de imediato uma formação em período integral, com atividades no contraturno desenvolvidas em parceria com a sociedade para oferecer aos alunos reforço escolar. Isso permitirá maior nivelamento entre os alunos, além de atividades esportivas e culturais, de forma que os pais fiquem tranquilos para trabalhar enquanto seus filhos passam o dia na escola.
 

O que o senhor acha de educação a distância? Pretende ampliar ou reduzir? Em que níveis de ensino? 

A educação a distancia pode ser importante para determinadas situações específicas, mas certamente não será o foco de nossa gestão na área da educação, em que temos tantos desafios e oportunidades já mencionados.
 

Questões de gênero e sexualidade devem ser abordadas nas escolas? 

Temos de nos preocupar com a igualdade de oportunidades para homens e mulheres. A perspectiva de gênero, garantindo que todos, independentemente de sua sexualidade, tenham igualdade de condições e oportunidades é importante. Não há desenvolvimento sem a participação das mulheres. Em nosso governo, não deixaremos ninguém para trás.
 

O que o movimento Escola sem Partido significa para o senhor? 

Algo a ser melhor estudado e debatido amplamente com a sociedade, e não imposto pelo poder Executivo. Acredito que o melhor palco para o desenvolvimento dessa discussão é o poder Legislativo, em que as diversas correntes ideológicas podem se encontrar no debate, mas sem perder o objetivo principal, que é proporcionarmos melhor educação para nossos alunos permitindo que todos os cidadãos, independentemente de sua origem, classe social, raça ou sexo tenham as mesmas oportunidades.
 

BIOGRAFIA 

Nascido em São Paulo, tem 50 anos. É formado em Engenharia de Produção pela Escola Politécnica de São Paulo. Começou a carreira como trainee do Deutsche Bank.
Viveu anos nos Estados Unidos depois de ser convidado a trabalhar na filial do banco em Nova York. Depois de 15 anos, voltou ao Brasil. Em 2014, criou com amigos o Movimento Vem Pra Rua, em apoio a manifestações de rua pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
Afastou-se do movimento em dezembro de 2017 para se candidatar ao governo de São Paulo. Declarou R$ 9 milhões ao TSE.